Entre a primavera de 1583 e o final de 1585, Giordano Bruno estava na Inglaterra. Foram anos decisivos para ele, tanto do ponto de vista filosófico quanto no plano pessoal. O que se costuma chamar de sua experiência inglesa foi um dos momentos mais fundamentais de todo o seu itinerário intelectual e humano. Os Furores Heróicos foram um dos diálogos italianos escritos e publicados nessa época e foi logo depois de sua publicação que Bruno se viu obrigado a deixar a Inglaterra e voltar para Paris.
Obra complexa tanto na forma quanto no contexto de sua narrativa é de extraordinária beleza, escrito dentro do melhor estilo de comentários em prosa sobre versos. Nem poesia filosófica nem filosofia pura, mas filosofia e poesia, mas Bruno investiga a condição própria do filósofo e mostra como a filosofia é fruto de um tipo específico de furor, o furor heróico. São 10 diálogos divididos em duas partes com cinco diálogos cada. O argumento é quase um livro de arte. Nele, Bruno procura explicar o que espera que seja lido em cada diálogo. O livro inteiro trata da busca do filósofo pela verdade. O filosofo, desde o início, seria chamado de Furioso, significante riquíssimo, largamente usado por pensadores e poetas renascentistas, e ao qual deveremos voltar. A primeira preocupação de Bruno, visível desde o Argumento, quer que não se confunda o objeto de desejo do Furioso com o objeto do amor vulgar contado pelos poetas, ou seja, a imagem feminina. A paixão mesma, as palavras então podem ser as mesmas para descrever o estado de alma do apaixonado, mas um abismo se abre em relação ao objeto dessa paixão criticando os poetas em particular e, em geral, todos os homens que se perdem na paixão amorosa, Bruno escreve uma das principais da misógina ocidental. Diz ele:
“Indigno e ridículo amar o que não amou Um homem que gasta o melhor de seu tempo para conceber, escrever e gravar esses perplexos tormentos traz discursos, destinados a sofrer a tirania de um imbecil, indigno e imundo lixo, esse erro extremo da natureza que, pela aparência de superficialide, por uma sombra, um fantasma, um sonho, um encanto de Circe posto a serviço da geração, a enganadora ilusão da beleza” (Furores Heróicos, Argumento, pp. 90-92).
Mas se as mulheres não podem ser um elevado objeto de desejo, ao menos porque só mulheres que pertencem a condição humana que contra a qual, justamente, luta o Furioso.
Quando se trata de considerar o amor, Giordano Bruno mostra que não existe uma distinção real entre um amor superior e um amor inferior, pois o amor é o elo que vincula tudo. Entretanto, ele também caracteriza dois tipos de amor: o amor humano e o amor divino, também chamado amor heróico. No que diz respeito ao amor humano, Bruno não se afasta muito das teorias misogênicas da medievalidade, que consideram o amor vulgar, em especial o amor sexual, ora uma doença, ora uma delícia no paraíso terreno. Bruno, no entanto, parece propenso a aceitar ainda melhor aquelas referencias ambíguas do amor apresentadas por Platão. Por isso, a idéias de Sócrates de que o amor humano é uma tirania também faz eco nos textos brunianos. Nesse sentido, embora se possa encontrar fortes traços da tradição petrarquista nos textos de Bruno, é preciso deixar claro que suas análises sobre o amor ultrapassam as concepções dos cancioneiros de amor e se concentram na reflexão filosófica em torno do tema. Por isso, mesmo quando faz referencia ao amor humano, Bruno tem em vista aquela forma especifica de vinculo que congrega todas as coisas.
O amor Divino é o vinculo dos vínculos, a causa do que existe no universo, do qual, evidentemente também participam os seres humanos.
“Todos os amores se são heróicos [...] têm por objetivo a beleza divina, tendem a beleza divina a qual primeiro se comunica às almas e nelas resplende, e das quais ou, para dizer melhor, pelas quais se comunicam depois aos corpos; por isso o afeto bem formado ama os corpos ou a beleza dos corpos, porque esta é sinal da beleza do espírito. Desse modo, o que faz com que nos enamoremos do corpo é uma certa qualidade do espírito que vemos nele e que chamamos de beleza, que consiste nas dimensões maiores e menores, não em determinadas cores e formas, mas em certa harmonia e consonância de partes e cores. [1]
Assim, para Giordano Bruno, o amor constitui uma unidade e todas as suas formas têm origem no amor divino, que preenche todas as coisas e lhe dá beleza. O amor divino se funde na alma e no corpo humano. Primeiro o amor divino preenche a alma humana, depois toma conta das partes do corpo. É o amor que torna belos os corpos e as coisas belas. A beleza tem um caráter espiritual consistente na harmonia, na consonância e na proporcionalidade entre as partes. O amor divino é eterno enquanto o intelecto humano é marcado pela temporalidade. A mente humana pode perceber a difusão do amor divino em múltiplas partes como um processo que resulta na unidade do todo. No entanto, na ordem do ser, o amor humano e o amor divino coincidem.
Em sua obra, o filósofo Giordano Bruno, em pleno Renascimento, teve uma maneira de olhar o olhar, no encontro poético entre os olhos (falando da razão) e o coração (em nome das paixões). Para ele, “a vista é o mais espiritual de todos os sentidos”. Assim, ele dedica o livro Heróicos Furores. Nesta obra ele escreve o diálogo – o embate – entre os olhos e o coração. O diálogo começa com uma acusação e um lamento do coração. Ele se queixa do fogo que o consome e acusa os olhos de serem “causa desse cruel incêndio” que nem toda a água do oceano bastaria para apagar. É que a primeira chama veio dos olhos, porque a razão excita o desejo: “Perceber, ver, conhecer, eis, em verdade, o que o desejo acende. É, pois, graças aos olhos que o coração é incendiado”.
Por sua vez, os olhos acusam o coração de ser o princípio de todas as lágrimas; na verdade, o fogo e a dor do coração fazem brotar as lágrimas dos olhos: se os olhos incendeiam o coração, é por causa do coração que os olhos são incendiados em lágrimas. “Copiosas lágrimas que, se espalhadas, inundariam o universo”.Os olhos perguntam: se toda matéria, convertida em jogo móvel e ligeiro, eleva-se às alturas do céu, “por que você, que um tão grande jogo de amor atormenta, não é levado, rápido como o vento, de um só ela até o sol?”. O coração responde: “Louco é aquele que, fora das aparências, nada conhece e que, pela razão, recusa-se a acreditar: o fogo que está em mim não pode alçar vôo, nem pode ver esse desmesurado incêndio, porque acima dele estende-se o oceano de olhos e o infinito não pode ultrapassar o infinito”.
E assim, como romper o equilíbrio de duas forças iguais? “Onde existem duas forças – comenta Giordano – uma não sendo superior à outra, uma e outra cessam de ser operantes, uma vez que a resistência de uma iguala-se à insistência da outra”. A igualdade só é possível entre dois infinitos. Duas forças finitas em oposição sempre produzem a ruptura da harmonia e do equilíbrio, por serem desiguais.
E no fim do diálogo vem a resposta: acima dos olhos e do coração está o Desejo. “Estas duas potências da alma jamais são e podem ser satisfeitas por seu objeto uma vez que infinitamente elas o buscam”. O Desejo é o infinito que trabalha o interior das paixões e da razão. É o Desejo que leva o ver a se transformar em ação de ver, dando às paixões e ao intelecto movimento infinito.
A relação dos olhos e do coração, do pensado e do sentido, é posta num duplo movimento, ou seja “dois ofícios”. “Para os olhos: imprimir no coração e receber a impressão no coração, da mesma maneira que o coração tem dois ofícios: receber a impressão dos olhos e imprimir nos olhos. Os olhos apreendem as aparências e as propõem ao coração; elas se tornam então, para o coração, objeto de desejo, e esse desejo, ele o transmite aos olhos; estes concebem a luz, irradiam-na e, nela, inflamam o coração; este, abrasado, espalha sobre os olhos seu humor. Assim, primeiro a cognição emite a faculdade afetiva que, por sua vez e em seguida, emite a cognição”. Cada idéia dos Furores Heróicos faz ressentir o corpo e a busca incessante da felicidade e do prazer.
No entender de Giordano, atarefa do intelecto humano é de apreender a unidade, representada aqui pela beleza e pela sabedoria divina. Noutras palavras, o intelecto está em busca do conceito ideal e sua atividade vem descrita na linguagem da caça. Como jovem caçador estava em busca de uma presa, também o intelecto está a procura de seu objeto. O intelecto tem em vista a sabedoria beleza divina, consideradas por Giordano o fim último do processo cognitivo e da atividade filosófica. Por outro lado, com o desfecho trágico narrado no soneto, Giordano põe em cena os limites do próprio intelecto na consecução de sua meta. Por isso, a atividade intelectual depende de pré-condições que somente podem ser preenchidas pelo amor heróico.
Desse modo, tomando por base as concepções sobre o amor e acentuando o papel ativo do intelecto no desenvolvimento do processo cognoscitivo, as posições de Giordano Bruno mostram que o amor heróico é a condição de possibilidade para a atividade intelectual. Com isso, fica claro que sem considerar o papel do amor não é possível compreender o próprio sentido do filosofar.
[1] Giordano Bruno, De gli eroici furori, I.3, 2002, p. 561;
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Algumas Frases em Latim
ALGUMAS FRASES EM LATIM1. A adoção imita a natureza. — Adoptio naturam imitatur.2. Nada vem do nada — De nihilo nihil. (Lucrécio)3. É difícil esquecer de repente um longo amor. — Difficile est longum subito deponere amorem.4. Quando o pobre dá presente ao rico, parece armar-lhe redes. — Donat cum egenus diviti retia videtur tendere (Catulo).5. Doce e honroso é morrer pela pátria. — Dulce et decorum est pro patria mori. (Horácio)6. A afinidade não gera afinidade. — Affinitas affinitatem non generat.7. A águia não caça moscas. — Aquila non captat muscas.8. A arte está em esconder a arte. — Ars est celare artem.9. A barba não faz o filósofo. — Barba non facit philosophum.10. A boa árvore dá bons frutos. — Arbor bona fructus bonos facit.11. A boa vontade supre a obra. — Aequiparat factum nobile velle bonum.12. A boca fala do que está cheio o coração. — Ex abundanctia enim cordis os loquitur.13. A boda ou a batizado não vás sem ser convidado. — Alterius festum solum invitatus adibis.14. A boi velho não busques abrigo. — Aetatem habet, ipse sibi consulte expertus.15. A caridade começa por casa. — A caridade começa por casa.16. A cavalo dado não se olha o dente. — Equi donati dentes non inspiciuntur.17. A César o que é de César. — Quae sunt Caesaris, Caesari.18. A desgraça de uns é o bem de outros. — Lucrum unibus est alterius damnum.19. A desgraça do pobre é querer imitar o rico. — Inops, potentem dum vult imitari, perit.20. A desgraça vem ser chamada. — Mala ultro adsunt.21. A Deus nada é impossível. — Nihil est quod Deus efficere non possit.22. A exceção confirma a regra. — Exceptio regulam probat.23. A experiência vale mais que a ciência. — Experientia praestantior arte.24. A fama tem asas. — Fama volat.25. A fortuna é como o vidro: — tanto brilha, como quebra. — Fortuna vitrea est: tum cum splendet, frangitur.26. A hora é incerta, mas a morte é certa. — Morte nihil certius est, nihil vero incerta quam ejus hora.27. A intenção é que faz a ação. — Voluntas pro facto reputatur.28. A letra, com sangue, entra. — Litterae non entrant sine sanguine.29. A maior pressa é o maior vagar. — Qui nimium properat serius absolvit.30. A maior vingança é o desprezo. — Injuriarum remedium est oblivio.31. A morte não poupa ninguém. — Mors omni aetate communis est.32. A morte tudo nivela. — Omnia cinis aequat.33. A necessidade é mestra. — Fames magistra.34. A necessidade não tem lei. — Necessitas caret lege.35. A ocasião faz o ladrão. — Occasio facit furem.36. A palavras loucas, orelhas moucas. — Dementis convitia nihil facias.37. A pergunta apressada, resposta demorada. — Quaerenti propere danda est responsio lenta.38. A pressa é inimiga da perfeição. — Festinare docet.39. A quem quer, nada é difícil. — Volenti nihil difficile.40. A quem trabalha, Deus ajuda. — Industriam adjuvat Deus.41. A sorte da guerra é incerta. — Anceps fortuna belli.42. A sorte está lançada. — Alea jacta est.43. A verdade dispensa enfeites. — Veritatis simplex oratio.44. A verdade sai da boca das crianças. — Ex ore parvulorum veritas.45. A vista do dono engorda o cavalo. — Oculus domini saginat equum.46. A vitória ama a cautela. — Amat victoria curam.47. Abuso não é uso, mas corruptela. — Abusus non est usus, sed corruptela.48. Acaba-se o haver, fica o saber. — Sapientia longe preestat divitiis.49. Aceita o que é teu e dá o alheio a seu dono. — Accipe quod tuum, alterique da suum.50. Advogados nascem, juízes fazem-se. — Advocaci nascuntur, judices fiunt.51. Agir, não falar. — Agere non loqui.52. Água e pão, comida de cão. — Vilis aqua et panis, potus et esca canis.53. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. —Gutta cavat lapidem, non vi sed saepe cadendo.54. Alegação sem prova é como sino sem badalo. — Allegatio sine probatione veluti campana sine pistillo est.55. Amigo certo conhece-se na hora incerta. — Amicus certus in re incerta cernitur.56. Amigo certo, nas horas incertas. — Amicum certum in re incerta cerni.57. Amigo de meu compadre, porém mais da verdade. — Amicus Plato, sed magis amica veritas.58. Amigo de todos e de nenhum, tudo é um. — Qui servit communi servit nulli.59. Amigo velho é parente. — Amicitia vera similis est consanguinitati proximiori.60. Amigo, a que vieste? — Amici, ad qui venisti?61. Amigos, amigos! negócios à parte! — Usque ad aras amicus.62. Amigos, nem muitos, nem nenhum. — Amandi, nec multi, nec nulli.63. Amor com amor se paga. — Amor amore compensatur.64. Amor com amor se paga. — Amor amore compensatur.65. Amor de asno entra a coices e dentadas. — Dentes atque pedes asinini exordia amoris.66. Amor e senhoria não quer companhia. — Amor et potestas impatiens consortis.67. Amor faz muito, mas dinheiro faz tudo. — Plurima praestat amor, sed sacra pecunia cuncta.68. Amor primeiro não tem companheiro. — Primus amor potior.69. Andando de dois, se encurta o caminho. — Comes facundus in via pro vehiculo est.70. Anel de ouro não é para focinho de porco. — Anulus aureus in nare suilla.71. Antes burro que me leve que cavalo que me derrube. — Malo tutus humi repere quam ruere.72. Antes calar que com doidos altercar. — Dementis convitia nihil facias.73. Antes da morte, não louves a ninguém. — Ante mortem ne laudes hominem quemquam.74. Antes de entrar, pensar na saída. — Res ab exitu spectanda et dirigenda est.75. Antes de mais que de menos. — Melius est abundare quam deficere.76. Antes de matar a onça, não se faz negócio com o couro. — Priusquam mactaveris, excorias.77. Antes invejado que lastimado. — Praestat invidiosum esse quam miserabilem.78. Antes pobre sossegado que rico atrapalhado. — Liber inops servo divite felicior.79. Antes que conheças, não louves nem ofendas. — Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine.80. Antes só do que mal acompanhado. — Fecit iter longum, comitem qui liquit ineptum.81. Antes sofrer injúria, que praticá-la. — Accipere, quam facere, praestat injuria.82. Antes sofrer o mal que fazê-lo. — Accipere quam facere praetat injuriam.83. Antes tarde do que nunca. — Utilius tarde quam nunquam.84. Antes torcer que quebrar. — Flectere commodius validas quam frangere vires.85. Ao avarento falta o que não tem e falta o que tem. — Tam desunt avido sua quam quod non habet.86. Ao homem ousado, afortuna estende a mão. — Audaces fortuna juvat, timidosque repellit.87. Ao médico, ao advogado e ao abade, falar a verdade. — Abbati, medico, patronoque intima pande.88. Ao padre, médico e advogado, falar a verdade. — Abbati, medico, potronoque intima pande.89. Ao que está feito, remédio; ao por fazer, conselho. — Consilium faciendo, facto adhibeto medelam.90. Ao vivo tudo falta, e ao morto tudo sobra. — Morienti cuncta supersunt.91. Aprende chorando e rirás ganhando. — Litterarum radices amarae, fructus dulces.92. Aquele a quem se dá, o escreve sobre a areia; aquele a quem se tira, o escreve sobre o bronze. — In vento scribit laedens; in marmore laesus.93. Aqui é que está o busílis. — Hoc opus, hic labor est.94. Arca aberta, o justo peca. — Oblata occasione, vel justus perit.95. Arrenego de grilhões, ainda que sejam de ouro. — Non bene pro toto libertas venditur auro.96. Arrenego do amigo que come o meu comigo e o seu consigo. — Absit qui mea manducat mecum et sua secum.97. Arrufos de namorados são amores renovados. — Amantium ira redintegratio amoris est.98. As aparências enganam. — Fallitur visio.99. As boas palavras custam pouco e valem muito. — Verba mollia et efficacia.100. Asno que tem fome, cardos come. — Jejunus stomachus
101. Até prometer, sede escasso. — Quousque promittas tardus, ut festinus praetes.102. Atrás de mim virá quem bom me fará. — Deterior parvum sanctificare solet.103. Ausente não pode ser curador de ausente. — Absens absentis curator esse nequit.104. Ávido do alheio, pródigo do próprio. — Alieni appetens, sui profusus.105. Barba não dá juízo. — Philosophum non facit barba.106. Barriga cheia, pé dormente. — Venter plenus somnum parit.107. Bem jejua quem mal come. — Jejunat satis is qui paucis vescitur escis.108. Bem parece a guerra a quem não vai nela. — Bellum dulce inexpertis.109. Bem sabe mandar, quem soube obedecer. — Bene imperat qui bene paruit aliquando.110. Bem se lambe o gato, depois de farto. — Cum satur est felis, se totum lambere gaudet.111. Boa fama vale dinheiro. — Honesta fama est alterum patrimonium.112. Boca de mel, coração de fel. — Mel in ore, fel in corde.113. Boca não admite fiador. — Fames et mora bilem in nasum conciunt.114. Bom é ter pai e mãe, mas comer e beber rapa tudo — Mammas atque tatas nimium conducit habere; sed potum et multum praestat habere cibum.115. Bom saber é o calar, até ser tempo de falar. — Prudens in loquendo est tardus.116. Bom traje encobre ruim “linhage”. — Obscurum vestis contegit ampla genus.117. Brevidade e novidade muito agradam. — Grata brevitas, grata novitas.118. Brigam as comadres, descobrem-se as verdades. — Feminarum furgiis deteguntur vera.119. Brigas de namorados, amores renovados. — Amantium irae amores integratio sunt.120. Cachaceiro não tem segredo. — Nullum secretum est ubi regnat ebrietas.121. Cachorro de cozinha não quer colega. — Dum canis os rodit, socium quem diligit odit.122. Cachorro, por se avezar, nasceu com os olhos tapados. — Canis festinans caecos catulos parit.123. Cada cuba cheira ao vinho que tem. — Allia quando terunt, retinent mortaria gusta.124. Cada qual acode onde mais lhe dói. — Ad commodum suum quisquis callidus est.125. Cada qual com seu igual. — Pares cum paribus facillime congregantur.126. Cada qual como Deus fez. — Ut quemque Deus vult esse, ita est.127. Cada qual conforme seu natural. — Naturae sequitur semina quisquis suae.128. Cada qual é dono de suas ventas. — Velle suum cuique est.129. Cada qual fala da feira, conforme lhe vai nela. — Ut quisque fortuna utitur, ita loquitur.130. Cada qual no seu ofício. — Tractent fabrilia fabri.131. Cada qual puxa a brasa pra sua sardinha. — Omnes sibi prius quam alteri esse volunt.132. Cada qual sabe onde o sapato lhe aperta. — Ad commodum suum quisquis callidus est.133. Cada qual sente seu mal. — De damno proprio quisque dolere scit.134. Cada qual tem a idade que parece ter. — Factes tua computat annos.135. Cada qual tem seu defeito. — Aliud alic vitio est.136. Cada um colhe conforme semeia. — Sementem ut feceris, ita metes.137. Cala primeiro o que queres que os outros calem. — Alium silere quod voles, primum sile.138. Cão que ladra não morde. — Canes timidi vehementius latrant.139. Cão que muito lambe, tira sangue. — Lembens assidue eliciet canis ore cruorem.140. Careca não gasta pente. — Quid pectunt qui non habent capillos?141. Casa tua filha com o filho de teu vizinho. — Nubere vis apte? Vicino nube merito.142. Casar com os de sua igualha. — Si vis apte nubere, nube pari.143. Casar é bom, não casar é melhor. — Qui matrimonio jungit virginem sua bene facit, et qui non jungit melius facit. (São Paulo)144. Casarás e amansarás. — Conjugium satis est juvenem dominare ferocem.145. Cautela e caldo de galinha nunca faz mal a ninguém. — Abundans cautela non nocet.146. Chave que se usa está sempre limpa. — Ferrum quo non utimur, obducitur rubigine.147. Chega-te aos bons e serás um deles. — Non male sedit qui bonis adhaerit.148. Com bochecha cheia de água ninguém sopra. — Flare simul, sorbere simul, res ardua semper.149. Com o tempo, vem o tento. — Dies posterior prioris est discipulus.150. Com paciência e perseverança, tudo se alcança. — Labor improbus omnia vincit.151. Com teu amo não jogues as pêras. — Potentes ne tentes aemulari.152. Comer e coçar, tudo está em começar. — Incipis invitus cessasque invitus ab esu.153. Comer para viver, e não viver para comer. — Edendum tibi est ut vivas, et non vivendum ut edas.154. Comida feita, companhia desfeita. — Diligis, cadis cum faece sicutis, amici.155. Como cada um se estima, assim o estimam. — Quantum quisque se ipsum facit, sic fit ab amicis.156. Conhece-te a ti mesmo. — Nosce te ipsum.157. Conversa fiada não bota panela no fogo. — Verba non implent marsupium.158. Corda puxada se quebra. — Arcus tensus saepius rompitur.159. Coruja não acha os filhos feios. — Asinus asino et sus sui pulcher est.160. Crédito é o que os outros nos devem. — Aes sunt quod aliis nobis debentur.161. Dá duas vezes quem dá depressa. — Bis dat qui cito dat.162. Da pele alheia, grande correia. — Ex alieno corto longa corrigio.163. Dádivas quebrantam penhas. — Muneribus vel Dii capiuntur.164. Dá-se o pé e ele quer a mão. — Digitum stulto ne permittas.165. De gota em gota o mar se esgota. — Guttatim pelagi perfluit omnis acqua.166. De boa árvore, bom fruto. — Arbore de dulci dulcia poma cadunt.167. De boas intenções o inferno está calçado. — Propositum capiunt Tartara, facta Polus.168. De casa de gato não sai rato farto. — Ex domo felis discendit mus impransus.169. De grandes causas, grandes efeitos. — A magnis maxima.170. De grão em grão, a galinha enche o papo. — Adde parum parvo magnus acervo erit.171. De grão em grão, a galinha enche o papo. — Molli paulatim flavescit campus arista.172. De hora em hora, Deus melhora. — Utile quid nobis novit Deus omnibus horis.173. De longe, vê-se o alto. — Alta a longe cognoscit.174. De muitos poucos se faz um muito. — Pusillum pusillo si addas, fiet ingens acervus.175. De nada nada se faz. — De nihilo nihilum.176. De noite, todos os gatos são pardos. — Lucerna sublata nihil discriminis inter mulieres.177. De obras feitas todos são mestres. — Promptius est omnibus judicare quam facere.178. De pequenino se torce o pepino. — A teneris consuescere multum.179. De rico a soberbo não há palmo inteiro. — Associat dives tumidos opulentia fastus.180. De tal árvore, tal fruto. — Arbor ex fructu cognoscitur.181. De vez em quando, o bom Homero cochila. — Aliquando bonus dormitat Homerus.182. Debaixo duma ruim capa está um bom jogador. — Sub sordido palliolo latet sapientia.183. Depois da onça morta, até cachorro mija nela. — Leoni mortuo lepores insultant.184. Depois da tempestade, vem a bonança. — Post nubila, Phoebus.185. Deus dá o frio conforme a roupa. — Pro ratione Deus dispertit frigora vestis.186. Deus não lê nas caras e, sim, nos corações. — Deus est solus scrutator cordium.187. Deus sabe o que faz. — Utile quid nobis novit Deus omnibus horis.188. Deus, que o marcou, alguma coisa nele achou. — Cavete tis quos natura signavit.189. Devagar se vai ao longe. — Paulatim deambulando, longum conficitur iter.190. Devagar, que tenho pressa! — Festina lente.191. Dinheiro é que faz dinheiro. — Nummus nummum parit.192. Dito e feito. — Dictum et factum.193. Dize-me com quem andas e eu te direi as manhas que tens. — Non mos ad vitam, sed consuetudo probanda.194. Dizendo-se as verdades, perdem-se as amizades. — Veritas odium parit.195. Do contado como o lobo. — Lupus non curat numerum.196. Do couro sai a correia. — Ex bove coria sumuntur.197. Do dito ao feito vai grande eito. — Inter dictum et factum multum differt.198. Do dizer ao fazer vai muita diferença. — Aliud est facere, aliud est dicere.199. Do mal guardado come o gato. — Torpida saepe lupos custodia pascit iniquos.200. Do perdido perca-se o sentido. — Perditus est, mala qui sequitur vestigia pravi.
201. Do que é novo gosta o povo. — Nova placent.202. Doença comprida em morte acaba. — Longa valetudo, certissima mors.203. Dois olhos vêem mais que um. — Aspiciunt oculi duo lumina clarius uno.204. Dor de mulher morta dura até à porta. — Confestim fletus emissae conjugis arent.205. Dos males, o menor. — Minima de malis.206. Dos maus costumes nascem as boas leis. — Leges bonae malis ex moribus procreantur.207. Dos meninos se fazem os homens. — Crescit in egregios parva juventa viros.208. Duro com duro não levanta muro. — Mons cum monte non miscetur.209. É cedo que se formam os costumes. — A teneris consuescere multum est.210. É mais fácil rasgar que costurar. — Laedere facile, mederi difficile.211. É melhor errar com muitos que acertar com poucos. — Sentientum cum multis.212. É melhor ser bom que de boa raça. — Nostra nos decet, non sanguine niti.213. É melhor uma boa morte do que uma ruim sorte. — Improba vita, mors optabilior.214. É melhor uma ruim acomodação que uma boa questão. — Litem ne quaere cum licet fugere.215. É preferível a eqüidade ao rigor. — Aequitas praeferitur rigore.216. Elogio de boca própria é vitupério. — Laus in ore proprio villescit.217. Em boca fechada não entra mosca. — Tutum silentium praemium.218. Em casa de enforcado não se fala em corda. — Quae dolent ea molestum est contingere.219. Em casa de mulher rica, fala o marido e ela grita. — Imperat et clamat quaecumque est femina dives.220. Em longa geração, ha conde e ladrão. — Absque vado fluvius, nec stat sine pelice proles.221. Em Roma, sê romano. — Si fueris Romae, Romano vivito more.222. Em sua casa cada um é rei. — Quilibet est tuguri rex, dominusque sui.223. Em terra de cegos, quem tem um olho é rei. — Beati monoculi in terra caecorum.224. Em toda parte há um pedaço de mau caminho. — Commoditas omnis fert sua incommoda.225. Emprestaste e não cobraste; e, se cobraste, não tanto; e, se tanto, não tal; e, se tal, inimigo mortal. — Si prestabis, non habetis; si habetis, non tam bene; si tam bene, non tam cito; si tam cito, perdis amicum.226. Enquanto dormem os gatos, correm os ratos. — Dum felis dormit saliunt mures.227. Enquanto há figos, há amigos. — Fervet olla, vivit amicitia.228. Enquanto o doente respira, há esperança. — Aegroto dum anima est, spes est.229. Entende primeiro e fala derradeiro. — Festinus intellige, tardus loquere.230. Enterrado, perdoado. — Parce sepultis.231. Entre pais e irmão não metas as mãos. — Non patri, nato et fratri rixentibus adstes.232. Errando é que se aprende. — Errando discitur.233. Errar é humano. — Errare humanum est.234. Escolhe os amigos entre os teus iguais. — Amicitia tibe junge pares.235. Estar comendo brisa. — Rore non pascitur.236. Estrada aberta é caminho. — Via trita, via tuta.237. Faça-se justiça, embora desabem os céus. — Fiat justitia et ruat caelum.238. Falar é fôlego. — Perdere verba leve est.239. Fartura faz bravura. — Ferociam sacietas parit.240. Fazer de um argueiro um cavaleiro. — Elephantem ex musca facere.241. Fazer o bem nunca se perde. — Quae recte fiunt nunquam benefacta peribunt.242. Fechar a porta depois de arrombada. — Accepto damno januam claudere.243. Feliz é quem feliz se julga. — Felix est non aliis qui videtur, sed sibi.244. Filhos criados, trabalhos dobrados. — Grandaevi nati, labores duplicati.245. Formiga tem catarro. — Etiam formicae sua bilis inest.246. Formiga, quando quer se perder, cria asas. — Quos Jupiter perdere vult prius dementat.247. Ganha dinheiro quem tem dinheiro. — Dantur divitiae non nisi divitibus.248. Ganha fama e deita-te na cama. — Audies bene ab hominibus et tuto vivas.249. Ganha fama e deita-te na cama. — Bonus rumor alterum est patrimonium.250. Gato escaldado de água fria tem medo. — Horrescit gelidas felis adustus aquas.251. Grandes viagens, grandes mentiras. — Longum iter emensus, mendacia longa reportat.252. Guarda-te de homem que não fala e de cão que não ladra. — Ira quae tegitur nocet.253. Há males que vêm por bem. — Nunc bene navigavi, cum naufragium feci.254. Hoje por mim, amanhã por ti. — Hodie mihi, cras tibi.255. Homem honrado, antes morto que injuriado. — Nobilis, ut vitet probrum, dat pectora ferro.256. Homem magro, sem ser de fome, vale por dois “home”. — Cavete a macilento non famelico.257. Hóspede e peixe com três dias fede. — Hospes et piscis tertio quoque die odiosus est.258. Hóspede jejuador, bem-vindo seja! — Si mea non coenes, gratior hospes es.259. Igual com igual se apraz. — Igual agrada igual. — Aequalis aequalem delectat.260. Infeliz da raposa que anda aos grilos. — Tunc male vulpi erit, si muscas prendere tentet.261. Infeliz do rato que só conhece um buraco. — Mus miser est sabe que solo clauditur uno.262. Intriga de irmão, intriga de cão. — Fratrum irae acerbissimae.263. Junta o útil ao agradável. — Utile dulci.264. Ladrão que furta a ladrão tem cem anos de perdão. — Callidus est latro qui tollit furta latroni.265. Língua comprida, sinal de mão curta. — Cui lingua est grandis, parvula dextra est.266. Lobo não come lobo. — Furem fur cognoscit, et lupum lupus.267. Longe da vista, longe do coração. — Procul ex oculis, procul ex mente.268. Macaco velho não meta a mão em cumbuca. — Annosa vulpes non capitur laqueo.269. Mais barato é o comprado que o pedido. — Emere malo quam rogare.270. Mais faz quem quer do quem pode. — Saepe potestatem solita est superare voluntas.271. Mais há quem suje a casa que quem a varra. — Qui varrant, pauci; est multus, qui sordidet aedes.272. Mais sabe o tolo no seu do que o sisudo no alheio. — Sua melius insanus curat quam sapiens aliena.273. Mais se arrepende quem fala do que quem cala. — Multis lingua nocet: nocuere silentia nulli.274. Mais se sabe por experiência que por aprender. — Magis experiendo quam discendo cognoscitur.275. Mais vale a qualidade que a quantidade. — Amplius juvat virtus, quam multitudo.276. Mais vale amigo na praça do que dinheiro na caixa. — Ubi amici, ibi opes.277. Mais vale o feitio que o pano. — Materiam superabat opus.278. Mais vale penhor que fiador. — Pignus fideijussore securius.279. Mais vale quem Deus ajuda do que quem cedo madruga. — Auxilium superum humanis viribus praestat.280. Mais vale um “toma” que dois “te darei”. — Bis gratum quod ultro offertur.281. Mais vale um burro vivo que um doutor morto. — Melior est canis vivis leone mortuo.282. Mais vale um ovo hoje que uma galinha amanhã. — Ad praesesn ova cras pullis sunt meliora.283. Mais vale um pássaro na mão que dois voando. — Plus valet passer in manibus, quam sub dubio grus.284. Mais vale vergonha na cara que mágoa no coração. — Pudere praestat quam pigere.285. Mal de muitos consolo é. — Quae mala cum multis patimur leviora videntur.286. Mal ou bem, com os teus te avém. — In omni fortuna tuis adhaere.287. Mandar não quer par. — Omnis potestas impatiens consortis erit.288. Melhor seria se não tivesse nascido. — Bonum erat si non natus non fuisset homo ille.289. Muito falar, muito errar. — In muktiloquio non deerit stultitia.290. Muito pode o galo no seu terreiro. — Plurimum valet gallus in aedibus suis.291. Muito prometer é uma maneira de enganar. — Multa fidem promissa levant.292. Muito riso é sinal de pouco siso. — Per multum risum stultus cognoscitur.293. Muitos amigos em geral, e um em especial. — Neque nullis sis amicus, neque multis.294. Muitos são os chamados, porém poucos os escolhidos. — Multi sunt vocati, pauci vero electi.295. Mulher andeja fala de todos, e todos dela. — De cunctis loquitur faemina quae tota cursitat urbe vaga.296. Mulher boa é prata que soa. — Nil melius muliere bona.297. Mulher e vidro sempre estão em perigo. — Et vitrum et mulier sunt in discrimine semper.298. Na barba do tolo aprende o barbeiro novo. — A barba stolide discunt tondere novelli.299. Na boca do mentiroso o certo se faz duvidoso. — Mendaci ni verum quidem dicenti creditur.300. Na cauda é que está o veneno. — In cauda venenum.
301. Nada duvida quem nada sabe. — Ille nihil dubitat qui nullam scientiam habet.302. Nada tem quem não se contenta com o que tem. — Cui nunquam satis est, possidet ille nihil.303. Não faças a outrem o que não quererias que ti fizessem. — Quod tibi non vis, alteri ne facias.304. Não faças aos outros o que não queres que te façam. — Alteri ne facias quod tibi fieri non vis.305. Não gosta do doce quem não prova o amargo. — Dulcia non novit qui non gustavit amara.306. Não há bem que sempre dure, nem mal que sempre ature. — Omnium rerum vicissitudo est.307. Não há casamento pobre, nem mortalha rica. — Nemo nupsit inops, dives nec mortuus ullus.308. Não há efeito sem causa. — Causa debet praecedere effectum.309. Não há gato, nem cachorro que não saiba. — Lippis et tonsoribus notum.310. Não há gosto que não custe. — Commoditas omnis fert secum incommoda.311. Não há gosto sem desgosto. — Fel latet in melle et mel non bibitur sine felle.312. Não há melhor espelho que amigo velho. — Se gerit egregium speculum veteranus amicus.313. Não há nada de novo debaixo do sol. — Nihil sub sole novi.314. Não há regra sem exceção. — Deviat a solitis regula cuncta viis.315. Não há tempero tão bom como a fome. — Fames optimum condimentum.316. Não merece o doce quem não prova o amargo. — Dulcia non meruit qui non gustavit amara.317. Não pode ser meu amigo o amigo de meu inimigo. — Inimici sui amicum nemo in amicitia sumit.318. Não sabe governar quem não sabe obedecer. — Non bene imperat, nisi qui paruerit imperio.319. Não saiba a mão esquerda o que faz a direita. — Nesciat sinistra quod faciat dextera tua.320. Não se aumente a aflição do aflito. — Afflicto non est addenda afflictio.321. Não se bebe sem ver, nem se assina sem ler. — Inspice bis potum et chartam subscribe scienter.322. Não se deve aumentar a aflição do aflito. — Afflictis non est addenda afflictio.323. Não se deve ser juiz de causa própria. — Aliquis non debet esse judex in propria causa.324. Não se pode demandar contra si mesmo. — A se impetrare ut nom posse.325. Não suba o sapateiro além da chinela. — Ne sutor ultra crepidam.326. Não te deves fiar senão naquele com quem já comeste um molho de sal. — Nemini fidas, nisi ei, cum quo prius modium salis absumptseris.327. Não vás à festa alheia sem ser convidado. — Alterius — festum solum invitatus adibis.328. Não vê a trave que tem no olho e vê um argueiro no do vizinho. — Aliena vitia in oculis habemus, a tergo nostra sunt.329. Nas ocasiões é que se conhecem os amigos. — In angustiis apparent amici.330. Nem só de pão vive o homem. — Non in solo pane vivit homo.331. Nem tanto, nem tão pouco. — Medio tutissimus ibis.332. Nem todas as verdades se dizem. — Non omnia quae vera sunt recte dixeris.333. Nem todo dia é dia santo. — Nec semper lilia florent.334. Nem tudo que luz é ouro. — Non omne id quod fulget, aurum est.335. Ninguém acorde o cão que está dormindo. — Temulentus dormiens non est excitandus.336. Ninguém dá o que não tem, nem mais do que tem. — Nemo dat quod non habet, nec plus quam habet.337. Ninguém é moeda de vinte patacas, para agradar a todos. — Nemo omnibus placet.338. Ninguém é obrigado a fazer o impossível. — Ad impossibilia nemo tenetur.339. Ninguém é obrigado a fazer o impossível. — Ad impossibilia nemo tenetur.340. Ninguém é profeta em sua terra. — Nmo propheta acceptus est in patria sua.341. Ninguém nasce sabendo. — Nemo nascitur sapiens.342. Ninguém pode ser juiz em causa própria. — Judex in causa propria nemo esse potest.343. Ninguém pode servir a dois senhores. — Nemo potest duobus dominis servire.344. Ninguém se contenta com o que tem. — Nemo sua sorte contentus.345. Ninguém se meta onde não é chamado. — Ad concilium ne accesseris antequam vocaris.346. No espelho, vê-se o rosto; no vinho, o coração. — Aes formae speculum est, vinum mentis.347. No meio é que está a virtude. — In medio virtus.348. No mundo, tudo é vaidade. — Vanitas vanitatum, et omnia vanitas.349. No sofrer e no abster está todo o vencer. — Sustine et abstine.350. No vinho está a verdade. — In vino veritas.351. Novos tempos, novos costumes. — Tempora mutantur et nos in illis.352. O abuso não tira o uso. — Abusus non tollit usum.353. O abuso não tolhe o uso. — Abusus non tollit usum.354. O alheio chora a seu dono. — Res ubicumque sit pro domino suo clamat.355. O amor é como a tosse: impossível ocultar. — Amor tussisque non celantur.356. O amor e o poder não querem sócios. — Amor et potestas impaciens consortis.357. O amor entra pelos olhos. — Ex aspectu nascitur amor.358. O amor tudo vence. — Amor vincit omnia.359. O autor louva sua obra. — Auctor opus laudat.360. O avarento rico não tem parente nem amigo. — Affinem nullum dives avarus habet.361. O bem que não fizeres, dos teus não esperes. — Frustra sperabis ab alieno, quodipse tibi praestre noluisti.362. O boi mais velho ensina o mais novo a arar. — A bove majore discit arare minor.363. O boi pela ponta, o homem pela palavra. — Cornu bos capitur, voce ligatur homo.364. O bom juiz ouve o que cada um diz. — Judex ille sapit qui darde censet et audit.365. O bom pastor dá sua vida por suas ovelhas. — Bonus pastor animam suam dat pro ovibus suis.366. O bom pastor deve tosquiar, e não esfolar o seu rebanho. — Boni pastoris est tondere pecus, non deglubere.367. O bom vinho escusa pregão. — Laudato vino non opus est hedera.368. O coração sente e a boca mente. — Aliud in ore, aliud in corde.369. O costume é uma segunda natureza. — Consuetudo altera natura.370. O dinheiro excita, mas não sacia o avarento. — Avarum irritat, non satiat pecunia.371. O erro repetido passa por verdade. — Consensus tollit errorem.372. O fim coroa a obra. — Finis coronat opus.373. O fim justifica os meios. — Quum finis est licitus etiam media sunt licita.374. O hábito não faz o monge. — Habitus non facit monachum.375. O homem é fogo e a mulher estopa: — vem o diabo e sopra. — Dicitur ignis homo, sic femina stupa vocatur; insuflat deamons: — gignitur ergo focus.376. O homem faz-se por si. — Faber est quisque tortunae suae.377. O homem honrado não teme murmúrios. — Ab auditione mala non timebit.378. O homem põe e Deus dispõe. — Homo proponit, sed Deus disponit.379. O jogo só é desonroso para o pobre. — Alea turpis mediocribus.380. O ladrão cuida que todos o são. — Esse sibi similes alios fur judicat omnes.381. O mal ganhado, o diabo o leva. — Mala parta, male dilabuntur.382. O muito mimo perde os filhos. — Efficit ignavos patris indulgentia natos.383. O número dos tolos é infinito. — Stultorum infinitus est numerus.384. O olho do dono trabalha mais que as mãos. — Dominus vidit multum in rebus suis.385. O parto da montanha. — Parturiun montes, nascetur ridiculus mus.386. O passado, passado! — Praeterita mutare non possumus.387. O perdão faz o ladrão. — Eficit insignem nimia indulgentia furem.388. O pilão conserva o odor do alho socado. — Allia quando terunt retinent mortaria gustum.389. O pior de esfolar é o rabo. — Detrahitur cauda nunquam bene pellis ab ima.390. O pouco com Deus é muito, e o muito sem Deus é nada. — Nihil sine Dio.391. O que é bom não dura. — Optima citissime pereunt.392. O que é bom por si se gaba. — Laudato vino non opus est hedera.393. O que é de mais mal não faz. — Quod abundat non nocet.394. O que é raro é caro. — Omnia rara cara.395. O que é ruim de passar é bom de lembrar. — Quae fuit durm pati meminisse dulce est.396. O que fizeres, encontrarás. — Ab alio expectes, quod alteri feceris.397. O que mulher quer, nem o diabo dá jeito. — Quod non potest diabolus mulier evincit.398. O que não se faz em dia de Santa Luzia, faz-se noutro qualquer dia. — Quod difertur non aufertur.399. O que não tem remédio, remediado está. — De re irreparabile ne doleas.400. O que o sábio faz primeiro, faz o néscio derradeiro. — Quod sapiens prius facit, stultus posterius.
401. O que se faz de noite, de dia aparece. — Nocte lucidus, interdiu inutilis.402. O que tem de ser tem muita força. — Fata viam inveniunt.403. O rogado é mais caro que o comprado. — Hic tua mercatur quia a te saepe precatur.404. O seu a seu dono. — Suum cuique tribuere.405. O sol nasce para todos. — Sol lucet omnibus.406. O sono é parente da morte. — Somnus est frater mortis.407. O temor de Deus é o princípio da sabedoria. — Timor Domini initium sapientiae est.408. O tempo é mestre. — Dies posterior prioris est discipulis.409. O tempo tudo traz. — Omnia fert aetas.410. O tempo vai e não volta. — Fugit irreparabile tempus.411. O tempo voa. — Cito pede labitur aetas.412. O tolo aprende à sua custa. — Malo accepto sultus sapit.413. O tolo caldo passa por sabido. — Stultus quoque si tacuerit, sapiens reputabitur.414. O trabalho é que faz o homem. — Opus artificem probat.415. O trabalho regula a paga. — Qualis pagatio, talis laboratio.416. O trabalho tudo vence. — Labor omnia vincit.417. O travesseiro é o melhor conselheiro. — In nocte consilium.418. Obras são amores e não palavras. — Re opitulandum, non verbis.419. Olho por olho, dente por dente. — Oculum pro oculo, dentem pro dente.420. Onde bem me vai, tenho mãe e pai. — Ubi bene, ibi patria.421. Onde está a força maior, cessa a menor. — Ubi major est, minor cedat.422. Onde ha força, direito se perde. — Jus rationis abest, ubi saeva potentia regnat.423. Onde há fumaça, há fogo. — Semper flamma fumo proxima est.424. Onde há mel, há abelhas. — Ubi mel, ibi apis.425. Onde muitos mandam, ninguém obedece. — Multitudo imperatorum curiam perdidit.426. Onde o galo canta, aí janta. — Legitimus propria quaestus ab arte venit.427. Onde o ouro fala, tudo cala. — Auro loquente, nihil pollet quaevis oratio.428. Onde o padre canta, aí janta. — Legitimus propria quaestus ab arte venit.429. Os mansos possuem o mundo. — Mites possident terram.430. Os olhos são a janela da alma. — Oculus animi index.431. Os pés irão onde quiser o coração. — Illic est oculus qua res quam adamamus.432. Ouro é o que ouro vale. — Hoc aurum scito pretium quod pr tenet aureo.433. Ovelha que berra, bocado que perde. — Si corvus posset tacitus pasci, haberet plus dapis.434. Paga o justo pelo pecador. — Unius peccata tota civitas luit.435. Pai e mãe é muito bom, barriga cheia é melhor. — Mammas atque tatas nimium conducit habere; sed potum et multum praestat habere cibum.436. Paixão cega a razão. — Amor caecus.437. Palavra e pedra que se soltam não têm volta. — Verbum emissum non redit.438. Palavras ditas, pancadas dadas. — In maledicto plus injuriae quam in manu.439. Palavras, leva-as o vento. — Verba volant.440. Panela que muitos mexem, ou sai insossa ou salgada. — Quod multum commune est, minima abdhibitur diligentia.441. Pão de hoje, carne de ontem e vinho de outro verão fzem o homem são. — Carnem hesternam, panem hodiernum, annotina vina, sume libens dicto tempore, sanus eris.442. Papagaio velho não aprende a falar. — Psittacus vetus non discit loqui.443. Para cavalo novo, cavaleiro velho. — Antiquus pullum scandere novit eques.444. Para grandes males, grandes remédios. — Extremis morbis, extrema, exquisita remedia optima sunt.445. Para não acabar, é melhor não começar. — Aut non tentaris, aut perfice.446. Para o passarinho, não há como seu ninho. — Cespite natali quilibet optat ali.447. Para que cego com espelho? — Quid caeco cum speculo?448. Para tudo há remédio, menos para a morte. — Contra vim mortisnon est medicamen in hortis.449. Pau que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. — Lignum tortum haud unquam rectum.450. Pedra que rola não cria limo. — Musco lapis volutus non abducitur.451. Pela amostra se conhece a chita. — E fimbria de texto judicatur.452. Pela linha vi a tinha. — Morbus hereditarius.453. Pelo dedo se conhece o gigante. — Ab ungibus leo.454. Pelo dedo se conhece o gigante. — Ex digito gigas.455. Pelo dedo se conhece o leão. — A digito cognoscitur leo.456. Pelo fruto se conhece a árvore. — Arbor ex frutcu cognoscitur.457. Pelos frutos se conhece a árvore. — A fructibus eorum cognoscetis eos.458. Pequenas dívidas fazem grandes inimigos. — Aes debitorum leve, grave inimicum facit.459. Perca-se tudo, menos a honra. — Omnia si perdas, famam servare memento.460. Perdoar ao mau é dizer-lhe que o seja. — Bonis nocet qui malis parcit.461. Pobre muda de patrão, mas não de condição. — Pauper dominum, non sortem mutat.462. Pobre não tem amigo nem parente. — Inopi nullus amicus.463. Por bem fazer, mal haver. — Pro beneficio maleficium accipere.464. Por fora muita farofa, por dentro molambo só. — Res modo formoase foris, intus erunt maculosae.465. Porta aberta, o justo peca. — Oblata occasione, vel justus perit.466. Portador não merece pancada. — Nuntio nihil imputandum.467. Pouco fel faz azedo muito mel. — Ex gutta mellis generantur flumina fellis.468. Pra mula velha, cabeçada nova. — Mula senex fulvis orntur saepe lupatis.469. Preso e cativo não tem amigo. — Donec eris felix, multos numerabis amicos.470. Princípios ruins, desgraçados fins. — Mali principii malus exitus.471. Procurar agulha em palheiro. — Acum in meta foeni quaerere.472. Quando Deus não quer, Santos nãorogam. — Nolente Deo, effundentur inaniter preces.473. Quando Deus quer, com todos os ventos chove. — Largitur pluvias, ubi vult divina potestas.474. Quando os gatos não estão em casa, os ratos passeia por cima da mesa. — Audacem reddit felis absentia murem.475. Quando os meus males forem velhos, os de alguém serão novos. — Quid rides me flente? — novum tibi crede futurum luctum, forte meus cum mihi priscus erit.476. Quando um não quer, dois não brigam. — Unus duntaxat non preliatur.477. Quanto maior é a ventura, tanto menos é segura. — Nemo infelicitati propinquior, quam nimis felix.478. Quanto mais besta, mais peixe. — Fortuna favet fatuis.479. Quanto mais se vive, mais se vê. — Multa ferunt anni venientes commoda secum.480. Quatro olhos vêem mais do que dois. — Auspiciunt oculi duo lumina clarius uno.481. Queijo de ovelha, leite de cabra, manteiga de vaca. — Caseum ovis, lac capra mi dent et vacca butyrum.482. Quem vaca de el-rei come magra, gorda a paga. — Est qui macram regis vaccam, solvit opimam.483. Quem a boa árvore se chega, boa sombra o cobre. — Non male sedet qui bonis adhaeret.484. Quem aconselha não obriga. — Nemo consilio obligatur.485. Quem adiante não olha, atrás se fica. — Qui nimium properat, serius absolvit.486. Quem ama a Beltrão, ama seu cão. — Qui me amat, meos diligit.487. Quem ama a Beltrão, ama seu irmão. — Qui me amat meos diligit.488. Quem anda no mar aprende a rezar. — Qui nescit orare, pergat ad mare.489. Quem aos vinte não barba, aos trinta não casa e aos quarenta não tem, não barba, não casa, não tem. — Sera sunt baba pos vigesimum, scientia post trigesimum, divitiae pos quadragesimum.490. Quem as coisas muito apura, não vive vida segura. — Qui nimis inquirit, multa pericla subit.491. Quem bem ama, bem castiga. — Qui bene amat, bene castigat.492. Quem bem vive, bem morre. —Qui vult rite mori, ne prave vivat oportet.493. Quem cala não quer barulho. — Omnia qui reticet, munera pacis habet.494. Quem cala vence. — Silentii tutum praemium.495. Quem cala, consente. — Qui tacet, consentire videtur.496. Quem cedo dá, dá duas vezes. — Bis dat qui cito dat.497. Quem com coxo anda, aprende a mancar. — Semper eris similis cum quibus esse cupis.498. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. — Qui gladio ferit, gladio perit.499. Quem comeu a carne que roa os ossos. — Faecem bibat qui vinum bibit.500. Quem compra e mente, na bolsa o sente. — Mendacem emptorem crumena arguit.
501. Quem corre atrás de dois, um vai embora. — Lepores duos insequens, neutrum capit.502. Quem corre, cansa; quem anda alcança. — Festinatio tarda est.503. Quem dá aos pobres empresta a Deus. — Qui dat pauperi non indigebit.504. Quem dá o pão dá o castigo. — Dum repascis natos pane, flagella premant.505. Quem dá o que é seu, sem ele se fica. — Si tua das cunctis omnia, multa feres.506. Quem desdenha quer comprar. — “Malum est, malum est”, dicit omnis emptor.507. Quem deve a quem me deve, a mim me deve. — Debitor debitoris mei debitor meus est.508. Quem diabos compra, diabos vende. — Daemonium vendit qui daemonium prius emit.509. Quem dinheiro tiver, fará o que quiser. — Pecuniae obediunt omnia.510. Quem diz o que quer, ouve o que não quer. — Quis quae vult dicit, quae non vult audit.511. Quem é teu inimigo? — É o oficial de teu ofício. — Faber fabro invidit.512. Quem escuta, de si ouve. — Experta est linguas auris iniqua malas.513. Quem está bem, deixe-se estar. — Regula certa datur: qui stat bene ne moveatur.514. Quem está com fome, não escuta conselhos. — Venter auribus caret.515. Quem está trabalhando, a Deus está se encomendando. — Laborare est orare.516. Quem faz o mal, espere outro tal. — Ab alio spectes alteri quod feceris.517. Quem faz uma vez, faz duas e três. — Semel artiex, millies artifex esse potest.518. Quem foi Naninha! — Quantum mutatus ab illo!519. Quem foi ruim, não deixa de ser. — Semel malus, semper malus.520. Quem fz neste mundo, aqui mesmo paga. — Quisquis iniqua facit, patiatur iniqua, necesse est.521. Quem graças faz, graças merece. — Gratia gratiam parit.522. Quem mais alto sobe, maior queda dá. — Quo quisque est altior, eo est periculo proximior.523. Quem mais duvida, mais aprende. — Dubitando ad veritatem parvenimus.524. Quem mais duvida, mais aprende. — Dubium sapientiae initium.525. Quem mais grita não é quem tem mais razão. — Copia sermonis non est consors rationis.526. Quem mais tem, mais deseja. — Plurima cum tenuit, plura tenere cupit.527. Quem mal começa, mal acaba. — Mali principii malus exitus.528. Quem mal cospe, duas vezes se alimpa. — Bis tergendus erit qui male sputa jacit.529. Quem mal fala, pior ouve. — Malecicens pejus audit.530. Quem muito abarca, pouco aperta. — Plurima conants prendere pauca ferunt.531. Quem muito fala, muito enfada. — Malo tacere mihi quam mala verba loqui.532. Quem muito fala, muito erra. — Multis lingua nocet: — nocuere silentia nulli.533. Quem muito pede, muito fede. — Importunus erit crebo quicumque rogabit.534. Quem não aceita conselhos, não merece ajuda. — Qui se consuluit solus secum ipse dolebit.535. Quem não aparece, se esquece. — Tam procul ex oculis quam procul ex corde.536. Quem não arrisca, não petisca. — Nihil lucri cepit qui nulla pericla subivit.537. Quem não avança, recua. — Non progredi est regredi.538. Quem não é por mim, é contra mim. — Qui non est mecum, contra me est.539. Quem não o conhecer, que o compre. — Tollat te, qui te non novit.540. Quem não pode o menos, não pode o mais. — Cui non licet quod est minus, utique non licet quod est plus.541. Quem não quer quando pode, não pode quando quer. — Nulli pro libito est unquam concessa libertas.542. Quem não quer trabalho, não quer ganho. — Molam qui vitat, farinam vitat.543. Quem não sabe calar, não sabe falar. — Qui nescit tacere, nescit et loqui.544. Quem não sabe falar, é melhor calar. — Praestat tacere quam stulte loqui.545. Quem não sabe fingir, não sabe governar. — Qui nescit dissimulare, nescit regnare.546. Quem não sabe sofrer, não sabe vencer. — Vincit qui tapitut.547. Quem não tem cabeça, não carrega chapéu. — Carente capite non opus est pileo.548. Quem não tem farinha, pra que quer peneira? — Qui caret asino, clitellam ne quaerat.549. Quem não tem vergonha, todo o mundo é seu. — Cui pudor non est, orbi dominator.550. Quem não trabalha, não come. — Qui non laborat, non manducet.551. Quem nega e depois faz, quer paz. — Ille est pacis amans, quicunque negata retracta.552. Quem o alheio veste, na praça o despe. — Qui furtim accipit, palam exsolvit.553. Quem o feio ama, bonito lhe parece. — Suum cuique pulchrum.554. Quem paga o que deve, aumenta o que é seu. — Solve aes alienum et quod te cruciat, scias.555. Quem pode o mais, pode o menos. — Cui licet quod est plus, licet utique quod est minus.556. Quem pode ser seu, sendo de outro é sandeu. — Alterius non sit qui suus esse potest.557. Quem poupa os maus, prejudica os maus. — Bonis nocet qui malis parcet.558. Quem primeiro anda, primeiro manja. — Primus veniens, primus molet.559. Quem procura, acha. — Qui bene perquirunt, promptius inveniunt.560. Quem quer tudo, tudo perde. — Avidum sua saepe deludit aviditas.561. Quem quiser cedo engordar, coma com fome e beba devagar. — Si potes lente, capiasque famelicus escam optatam, exiguo tempore pinguis eris.562. Quem ri hoje, chora amanhã. — Post gaudia, luctus.563. Quem se faz de mel, moscas o comem. — Si dulcis fias ut mel, te musca vorabit.564. Quem se faz de ovelha, o lobo o come. — Quisquis ovem simulat, hunc lupus ore vorat.565. Quem se sentir sem culpa, atire a primeira pedra. — Qui est sine peccato, primum in illa lapidem mittat.566. Quem se vence, vence o mundo. — Vincere cor proprium plus est quem vincere mundum.567. Quem se veste de ruim, veste-se duas vezes no ano. — Bis anno vestiri si vis, vilem indue pannum.568. Quem semeia ventos, colhe tempestades. — Ventum seminabunt et turbinem metent.569. Quem sempre mente, vergonha não sente. — Semper mendax impudens.570. Quem sozinho comeu seu galo, sozinho sele seu cavalo. — Qui solus comedit, solus sua pondere gestat.571. Quem tem amor, tem ciúme. — Qui non zelat, non amat.572. Quem tem carneiro, tem lã. — Semper habet lanam, cui copia larga bibentum.573. Quem tem inimigo, não dorme. — In periculo non est dormiendum.574. Quem tem o que perder, tem o que comer. — Plura timenda divitibus.575. Quem tem ofício, tem benefício. — Ars portus miseriae.576. Quem tem telhado de vidro não atira pedra no dos outros. — Desinant maledicere malefacta ne noscant sua.577. Quem trabalha o dia inteiro, acha mole o travesseiro. — Dulcis est somnus operantis.578. Quem tudo quer tudo perde. — Avidum sua saepe deludit aviditas.579. Quem vê a barba do vizinho arder, bota a sua de molho. — Jam tua res agitur, paries cum proximus ardet.580. Quem vê cara, não vê coração. — Frons, oculi, vultus persaepe mentiuntur.581. Quem vier atrás, que feche a porteira. — Qui postremus abit, redeuntibus ostia claudet.582. Querer é poder. — Volle est posse.583. Questão puxa questão. — Lis litem parit.584. Raio não cai em pau deitado. — Periunt summos fulmina montes.585. Raposa cai o cabelo, mas não deixa de comer galinha. — Lupus pilum mutat, non mentem.586. Raposa que dorme não apanha galinha. — Dormiens nihil lucratur.587. Raposa velha não cai em armadilha. — Annosa vulpes non capitur laqueo.588. Remenda teu pano, durará mais um ano; remenda outra vez, durará mais um mês; torna a remendar, pra então se acabar. — Se vestem repares, longum durabis in annum.589. Resposta branda a ira quebranta. — Responsio mollis frangit iram.590. Rico avarento não tem parente, nem amigo. — Affinem nullum dives avarus habet.591. Rico é quem se contenta com o que tem. — Sorte sua quisque dives, si contentus.592. Roma não se fez num dia. — Non fuit in solo Roma peracta die.593. Saltar das brasas e cair nas labaredas. — Incidit in flammam cupiens vitare favillas.594. Saram cutiladas e não más palavras. — In maledicto plus injuriae quam in manu.595. Saúde cuidada, vida conservada. — Custodit vitam qui vustodit sanitatem.596. Se as armas falam, as leis se calam. — Silent inter arma leges.597. Se há de mais tarde chorar o pai, chore agora o filho. — Melius est pueri fleant quam senes.598. Se há de se dar ao rato, dê-se ao gato. — Accipiat felis quae vellent rodere mures.599. Se queres a paz, prepara-te para a guerra. — Si vis pacem, para bellum.600. Se queres ser velho moço, faze-te velho cedo. — Mature fies senex, si diu velles esse senex.601. Se te dá o pobre, é para que mais te tome. — Dat tibi, ut accipiat duplicata numismata, egenus.602. Sem conheceres, não louves nem ofendas. — Antequam noveris a laudando et vituperando abstine.603. Sem dinheiro, tudo é vão. — Absque argento omnia vana.604. Só s sabe o que é saúde quando se está doente. — Pretiosa quam sit sanitas morbus docet.605. Sobre gosto não se discute. — De gustibus et coloribus non est disputandum.606. Sol e sal livram a gente de muito mal. — Cum sale et sole omnia fiunt.607. Tal amo, tal criado. — Qualis dominus, talis servus.608. Tal pai, tal filho. — Qualis pater, talis filius.609. Tal vida, tal morte. — Tal vida, tal morte.610. Tantas cabeças, tantas opiniões. — Tot capita, tot sententiae.611. Tanto tens, tanto vales. — Nihil satis est, quia tanti, quanti habeas, sis.612. Tanto vai o pote à bica, que um dia lá se fica. — Cantharus assidue gestatus perdidit ansam.613. Tão bom é o ladrão como o consentidor. — Agentes et consentientes pari poena puniuntur.614. Tarde dar é o mesmo que negar. — Tarde benefacere nolle est.615. Tarde piaste! — Sero venisti.616. Temer a morte é morrer duas vezes. — Crudelius est quam mori semper mortem timere.617. Tempo de guerra, mentira como terra. — Multa in bellis inania.618. Tempo é remédio. — Tempus tempora temperat.619. Tempo perdido não se recupera. — Praeteritum tempus umquam revertitur.620. Toda comparação é odiosa. — Omnis comparatio odiosa.621. Toda sobra é demasiada. — Ne quid nimis.622. Tolo é quem cuida que o seu inimigo se descuida. — Hostis nunquam contemnendus.623. Tosse, amor e febre ninguém esconde. — Amor tussisque non celantur.624. Trabalho bem começado, meio acabado. — Dimidium facti qui bene coepit habet.625. Trato é trato. — Pacta sunt servanda.626. Triste de quem morre! — Vae mortuis!627. Tudo na vida quer tempo e medida. — Mensura omnium rerum optima.628. Tudo passa sobre a terra. — Tempus longum vitiat lapidem.629. Tudo pode ser, sem ser milagre. — Omnia eveniunt ut sunt humana.630. Tudo que é demais aborrece. — Quod nimium est, laedit.631. Um abismo atrai o outro. — Abyssus abyssum invocat.632. Um gago entende o outro. — Balbus balbum intellegit.633. Um grão não enche o celeiro, mas ajuda o companheiro. — Singula quae non possunt multa collecta juvant.634. Um ruim conhece outro. — Bestia bestiam novit.635. Uma andorinha só não faz verão. — Una hirundo non facit ver.636. Uma desgraça nunca vem só. — Malis mala succedunt.637. Uma faca amola a outra. — Ferrum ferro acuitur.638. Uma mão lava a outra e ambas o rosto. — Dextra fricat laevam, vultus fricatur ab illis.639. Uma mentira acarreta outra. — Fallacia alia aliam trudit.640. Uma testemunha, nenhuma testemunha. — Testis unus, testis nullus.641. Uns plantam, outros colhem. — Alii sementem faciunt; alii metent.642. Usa e serás mestre. — Usus optimus rerum magister.643. Usar, não abusar. — Uti, non abuti.644. Vaidade das vaidades, tudo é vaidade. — Vanitas vanitatum, omnia vanitas.645. Vão as leis onde querem os reis. — Quae vult rex fieri, sanctae sunt congrua legi.646. Vasilha ruim não se quebra. — Vas malum non frangitur.647. Velhice é doença. — Senectus est morbus.648. Velhice e mercadoria ruim levam-se às costas. — Aetas mala merx mala terga.649. Velhice, segunda meninice. — Senectus est velut altera pueritia.650. Vence quem se vence. — Vincit qui se vincit.651. Vender em casa, comprar na feira. — Vende domi, emi in mundinis.652. Ver para crer. — Oculis magis habenda fides quam auribus.653. Ver, ouvir e calar. — Auribus frequentius quam lingua utere.654. Vinho do meio, mel de baixo, azeite de cima. — Vinum intra, subsidant mella, superstet oliva.655. Vinho velho, amigo velho e ouro velho. — Annosum vinum, socius vetus et vetus aurum.656. Viúva rica com um olho chora e com o outro repica. — Si vidua est locuples, lacrimoso lumine ridet.657. Viva a galinha com a sua pevide! — Morbosam retine vitam formidine mortis.658. Voz do povo, voz de Deus. — Vox populi, vox Dei est.
101. Até prometer, sede escasso. — Quousque promittas tardus, ut festinus praetes.102. Atrás de mim virá quem bom me fará. — Deterior parvum sanctificare solet.103. Ausente não pode ser curador de ausente. — Absens absentis curator esse nequit.104. Ávido do alheio, pródigo do próprio. — Alieni appetens, sui profusus.105. Barba não dá juízo. — Philosophum non facit barba.106. Barriga cheia, pé dormente. — Venter plenus somnum parit.107. Bem jejua quem mal come. — Jejunat satis is qui paucis vescitur escis.108. Bem parece a guerra a quem não vai nela. — Bellum dulce inexpertis.109. Bem sabe mandar, quem soube obedecer. — Bene imperat qui bene paruit aliquando.110. Bem se lambe o gato, depois de farto. — Cum satur est felis, se totum lambere gaudet.111. Boa fama vale dinheiro. — Honesta fama est alterum patrimonium.112. Boca de mel, coração de fel. — Mel in ore, fel in corde.113. Boca não admite fiador. — Fames et mora bilem in nasum conciunt.114. Bom é ter pai e mãe, mas comer e beber rapa tudo — Mammas atque tatas nimium conducit habere; sed potum et multum praestat habere cibum.115. Bom saber é o calar, até ser tempo de falar. — Prudens in loquendo est tardus.116. Bom traje encobre ruim “linhage”. — Obscurum vestis contegit ampla genus.117. Brevidade e novidade muito agradam. — Grata brevitas, grata novitas.118. Brigam as comadres, descobrem-se as verdades. — Feminarum furgiis deteguntur vera.119. Brigas de namorados, amores renovados. — Amantium irae amores integratio sunt.120. Cachaceiro não tem segredo. — Nullum secretum est ubi regnat ebrietas.121. Cachorro de cozinha não quer colega. — Dum canis os rodit, socium quem diligit odit.122. Cachorro, por se avezar, nasceu com os olhos tapados. — Canis festinans caecos catulos parit.123. Cada cuba cheira ao vinho que tem. — Allia quando terunt, retinent mortaria gusta.124. Cada qual acode onde mais lhe dói. — Ad commodum suum quisquis callidus est.125. Cada qual com seu igual. — Pares cum paribus facillime congregantur.126. Cada qual como Deus fez. — Ut quemque Deus vult esse, ita est.127. Cada qual conforme seu natural. — Naturae sequitur semina quisquis suae.128. Cada qual é dono de suas ventas. — Velle suum cuique est.129. Cada qual fala da feira, conforme lhe vai nela. — Ut quisque fortuna utitur, ita loquitur.130. Cada qual no seu ofício. — Tractent fabrilia fabri.131. Cada qual puxa a brasa pra sua sardinha. — Omnes sibi prius quam alteri esse volunt.132. Cada qual sabe onde o sapato lhe aperta. — Ad commodum suum quisquis callidus est.133. Cada qual sente seu mal. — De damno proprio quisque dolere scit.134. Cada qual tem a idade que parece ter. — Factes tua computat annos.135. Cada qual tem seu defeito. — Aliud alic vitio est.136. Cada um colhe conforme semeia. — Sementem ut feceris, ita metes.137. Cala primeiro o que queres que os outros calem. — Alium silere quod voles, primum sile.138. Cão que ladra não morde. — Canes timidi vehementius latrant.139. Cão que muito lambe, tira sangue. — Lembens assidue eliciet canis ore cruorem.140. Careca não gasta pente. — Quid pectunt qui non habent capillos?141. Casa tua filha com o filho de teu vizinho. — Nubere vis apte? Vicino nube merito.142. Casar com os de sua igualha. — Si vis apte nubere, nube pari.143. Casar é bom, não casar é melhor. — Qui matrimonio jungit virginem sua bene facit, et qui non jungit melius facit. (São Paulo)144. Casarás e amansarás. — Conjugium satis est juvenem dominare ferocem.145. Cautela e caldo de galinha nunca faz mal a ninguém. — Abundans cautela non nocet.146. Chave que se usa está sempre limpa. — Ferrum quo non utimur, obducitur rubigine.147. Chega-te aos bons e serás um deles. — Non male sedit qui bonis adhaerit.148. Com bochecha cheia de água ninguém sopra. — Flare simul, sorbere simul, res ardua semper.149. Com o tempo, vem o tento. — Dies posterior prioris est discipulus.150. Com paciência e perseverança, tudo se alcança. — Labor improbus omnia vincit.151. Com teu amo não jogues as pêras. — Potentes ne tentes aemulari.152. Comer e coçar, tudo está em começar. — Incipis invitus cessasque invitus ab esu.153. Comer para viver, e não viver para comer. — Edendum tibi est ut vivas, et non vivendum ut edas.154. Comida feita, companhia desfeita. — Diligis, cadis cum faece sicutis, amici.155. Como cada um se estima, assim o estimam. — Quantum quisque se ipsum facit, sic fit ab amicis.156. Conhece-te a ti mesmo. — Nosce te ipsum.157. Conversa fiada não bota panela no fogo. — Verba non implent marsupium.158. Corda puxada se quebra. — Arcus tensus saepius rompitur.159. Coruja não acha os filhos feios. — Asinus asino et sus sui pulcher est.160. Crédito é o que os outros nos devem. — Aes sunt quod aliis nobis debentur.161. Dá duas vezes quem dá depressa. — Bis dat qui cito dat.162. Da pele alheia, grande correia. — Ex alieno corto longa corrigio.163. Dádivas quebrantam penhas. — Muneribus vel Dii capiuntur.164. Dá-se o pé e ele quer a mão. — Digitum stulto ne permittas.165. De gota em gota o mar se esgota. — Guttatim pelagi perfluit omnis acqua.166. De boa árvore, bom fruto. — Arbore de dulci dulcia poma cadunt.167. De boas intenções o inferno está calçado. — Propositum capiunt Tartara, facta Polus.168. De casa de gato não sai rato farto. — Ex domo felis discendit mus impransus.169. De grandes causas, grandes efeitos. — A magnis maxima.170. De grão em grão, a galinha enche o papo. — Adde parum parvo magnus acervo erit.171. De grão em grão, a galinha enche o papo. — Molli paulatim flavescit campus arista.172. De hora em hora, Deus melhora. — Utile quid nobis novit Deus omnibus horis.173. De longe, vê-se o alto. — Alta a longe cognoscit.174. De muitos poucos se faz um muito. — Pusillum pusillo si addas, fiet ingens acervus.175. De nada nada se faz. — De nihilo nihilum.176. De noite, todos os gatos são pardos. — Lucerna sublata nihil discriminis inter mulieres.177. De obras feitas todos são mestres. — Promptius est omnibus judicare quam facere.178. De pequenino se torce o pepino. — A teneris consuescere multum.179. De rico a soberbo não há palmo inteiro. — Associat dives tumidos opulentia fastus.180. De tal árvore, tal fruto. — Arbor ex fructu cognoscitur.181. De vez em quando, o bom Homero cochila. — Aliquando bonus dormitat Homerus.182. Debaixo duma ruim capa está um bom jogador. — Sub sordido palliolo latet sapientia.183. Depois da onça morta, até cachorro mija nela. — Leoni mortuo lepores insultant.184. Depois da tempestade, vem a bonança. — Post nubila, Phoebus.185. Deus dá o frio conforme a roupa. — Pro ratione Deus dispertit frigora vestis.186. Deus não lê nas caras e, sim, nos corações. — Deus est solus scrutator cordium.187. Deus sabe o que faz. — Utile quid nobis novit Deus omnibus horis.188. Deus, que o marcou, alguma coisa nele achou. — Cavete tis quos natura signavit.189. Devagar se vai ao longe. — Paulatim deambulando, longum conficitur iter.190. Devagar, que tenho pressa! — Festina lente.191. Dinheiro é que faz dinheiro. — Nummus nummum parit.192. Dito e feito. — Dictum et factum.193. Dize-me com quem andas e eu te direi as manhas que tens. — Non mos ad vitam, sed consuetudo probanda.194. Dizendo-se as verdades, perdem-se as amizades. — Veritas odium parit.195. Do contado como o lobo. — Lupus non curat numerum.196. Do couro sai a correia. — Ex bove coria sumuntur.197. Do dito ao feito vai grande eito. — Inter dictum et factum multum differt.198. Do dizer ao fazer vai muita diferença. — Aliud est facere, aliud est dicere.199. Do mal guardado come o gato. — Torpida saepe lupos custodia pascit iniquos.200. Do perdido perca-se o sentido. — Perditus est, mala qui sequitur vestigia pravi.
201. Do que é novo gosta o povo. — Nova placent.202. Doença comprida em morte acaba. — Longa valetudo, certissima mors.203. Dois olhos vêem mais que um. — Aspiciunt oculi duo lumina clarius uno.204. Dor de mulher morta dura até à porta. — Confestim fletus emissae conjugis arent.205. Dos males, o menor. — Minima de malis.206. Dos maus costumes nascem as boas leis. — Leges bonae malis ex moribus procreantur.207. Dos meninos se fazem os homens. — Crescit in egregios parva juventa viros.208. Duro com duro não levanta muro. — Mons cum monte non miscetur.209. É cedo que se formam os costumes. — A teneris consuescere multum est.210. É mais fácil rasgar que costurar. — Laedere facile, mederi difficile.211. É melhor errar com muitos que acertar com poucos. — Sentientum cum multis.212. É melhor ser bom que de boa raça. — Nostra nos decet, non sanguine niti.213. É melhor uma boa morte do que uma ruim sorte. — Improba vita, mors optabilior.214. É melhor uma ruim acomodação que uma boa questão. — Litem ne quaere cum licet fugere.215. É preferível a eqüidade ao rigor. — Aequitas praeferitur rigore.216. Elogio de boca própria é vitupério. — Laus in ore proprio villescit.217. Em boca fechada não entra mosca. — Tutum silentium praemium.218. Em casa de enforcado não se fala em corda. — Quae dolent ea molestum est contingere.219. Em casa de mulher rica, fala o marido e ela grita. — Imperat et clamat quaecumque est femina dives.220. Em longa geração, ha conde e ladrão. — Absque vado fluvius, nec stat sine pelice proles.221. Em Roma, sê romano. — Si fueris Romae, Romano vivito more.222. Em sua casa cada um é rei. — Quilibet est tuguri rex, dominusque sui.223. Em terra de cegos, quem tem um olho é rei. — Beati monoculi in terra caecorum.224. Em toda parte há um pedaço de mau caminho. — Commoditas omnis fert sua incommoda.225. Emprestaste e não cobraste; e, se cobraste, não tanto; e, se tanto, não tal; e, se tal, inimigo mortal. — Si prestabis, non habetis; si habetis, non tam bene; si tam bene, non tam cito; si tam cito, perdis amicum.226. Enquanto dormem os gatos, correm os ratos. — Dum felis dormit saliunt mures.227. Enquanto há figos, há amigos. — Fervet olla, vivit amicitia.228. Enquanto o doente respira, há esperança. — Aegroto dum anima est, spes est.229. Entende primeiro e fala derradeiro. — Festinus intellige, tardus loquere.230. Enterrado, perdoado. — Parce sepultis.231. Entre pais e irmão não metas as mãos. — Non patri, nato et fratri rixentibus adstes.232. Errando é que se aprende. — Errando discitur.233. Errar é humano. — Errare humanum est.234. Escolhe os amigos entre os teus iguais. — Amicitia tibe junge pares.235. Estar comendo brisa. — Rore non pascitur.236. Estrada aberta é caminho. — Via trita, via tuta.237. Faça-se justiça, embora desabem os céus. — Fiat justitia et ruat caelum.238. Falar é fôlego. — Perdere verba leve est.239. Fartura faz bravura. — Ferociam sacietas parit.240. Fazer de um argueiro um cavaleiro. — Elephantem ex musca facere.241. Fazer o bem nunca se perde. — Quae recte fiunt nunquam benefacta peribunt.242. Fechar a porta depois de arrombada. — Accepto damno januam claudere.243. Feliz é quem feliz se julga. — Felix est non aliis qui videtur, sed sibi.244. Filhos criados, trabalhos dobrados. — Grandaevi nati, labores duplicati.245. Formiga tem catarro. — Etiam formicae sua bilis inest.246. Formiga, quando quer se perder, cria asas. — Quos Jupiter perdere vult prius dementat.247. Ganha dinheiro quem tem dinheiro. — Dantur divitiae non nisi divitibus.248. Ganha fama e deita-te na cama. — Audies bene ab hominibus et tuto vivas.249. Ganha fama e deita-te na cama. — Bonus rumor alterum est patrimonium.250. Gato escaldado de água fria tem medo. — Horrescit gelidas felis adustus aquas.251. Grandes viagens, grandes mentiras. — Longum iter emensus, mendacia longa reportat.252. Guarda-te de homem que não fala e de cão que não ladra. — Ira quae tegitur nocet.253. Há males que vêm por bem. — Nunc bene navigavi, cum naufragium feci.254. Hoje por mim, amanhã por ti. — Hodie mihi, cras tibi.255. Homem honrado, antes morto que injuriado. — Nobilis, ut vitet probrum, dat pectora ferro.256. Homem magro, sem ser de fome, vale por dois “home”. — Cavete a macilento non famelico.257. Hóspede e peixe com três dias fede. — Hospes et piscis tertio quoque die odiosus est.258. Hóspede jejuador, bem-vindo seja! — Si mea non coenes, gratior hospes es.259. Igual com igual se apraz. — Igual agrada igual. — Aequalis aequalem delectat.260. Infeliz da raposa que anda aos grilos. — Tunc male vulpi erit, si muscas prendere tentet.261. Infeliz do rato que só conhece um buraco. — Mus miser est sabe que solo clauditur uno.262. Intriga de irmão, intriga de cão. — Fratrum irae acerbissimae.263. Junta o útil ao agradável. — Utile dulci.264. Ladrão que furta a ladrão tem cem anos de perdão. — Callidus est latro qui tollit furta latroni.265. Língua comprida, sinal de mão curta. — Cui lingua est grandis, parvula dextra est.266. Lobo não come lobo. — Furem fur cognoscit, et lupum lupus.267. Longe da vista, longe do coração. — Procul ex oculis, procul ex mente.268. Macaco velho não meta a mão em cumbuca. — Annosa vulpes non capitur laqueo.269. Mais barato é o comprado que o pedido. — Emere malo quam rogare.270. Mais faz quem quer do quem pode. — Saepe potestatem solita est superare voluntas.271. Mais há quem suje a casa que quem a varra. — Qui varrant, pauci; est multus, qui sordidet aedes.272. Mais sabe o tolo no seu do que o sisudo no alheio. — Sua melius insanus curat quam sapiens aliena.273. Mais se arrepende quem fala do que quem cala. — Multis lingua nocet: nocuere silentia nulli.274. Mais se sabe por experiência que por aprender. — Magis experiendo quam discendo cognoscitur.275. Mais vale a qualidade que a quantidade. — Amplius juvat virtus, quam multitudo.276. Mais vale amigo na praça do que dinheiro na caixa. — Ubi amici, ibi opes.277. Mais vale o feitio que o pano. — Materiam superabat opus.278. Mais vale penhor que fiador. — Pignus fideijussore securius.279. Mais vale quem Deus ajuda do que quem cedo madruga. — Auxilium superum humanis viribus praestat.280. Mais vale um “toma” que dois “te darei”. — Bis gratum quod ultro offertur.281. Mais vale um burro vivo que um doutor morto. — Melior est canis vivis leone mortuo.282. Mais vale um ovo hoje que uma galinha amanhã. — Ad praesesn ova cras pullis sunt meliora.283. Mais vale um pássaro na mão que dois voando. — Plus valet passer in manibus, quam sub dubio grus.284. Mais vale vergonha na cara que mágoa no coração. — Pudere praestat quam pigere.285. Mal de muitos consolo é. — Quae mala cum multis patimur leviora videntur.286. Mal ou bem, com os teus te avém. — In omni fortuna tuis adhaere.287. Mandar não quer par. — Omnis potestas impatiens consortis erit.288. Melhor seria se não tivesse nascido. — Bonum erat si non natus non fuisset homo ille.289. Muito falar, muito errar. — In muktiloquio non deerit stultitia.290. Muito pode o galo no seu terreiro. — Plurimum valet gallus in aedibus suis.291. Muito prometer é uma maneira de enganar. — Multa fidem promissa levant.292. Muito riso é sinal de pouco siso. — Per multum risum stultus cognoscitur.293. Muitos amigos em geral, e um em especial. — Neque nullis sis amicus, neque multis.294. Muitos são os chamados, porém poucos os escolhidos. — Multi sunt vocati, pauci vero electi.295. Mulher andeja fala de todos, e todos dela. — De cunctis loquitur faemina quae tota cursitat urbe vaga.296. Mulher boa é prata que soa. — Nil melius muliere bona.297. Mulher e vidro sempre estão em perigo. — Et vitrum et mulier sunt in discrimine semper.298. Na barba do tolo aprende o barbeiro novo. — A barba stolide discunt tondere novelli.299. Na boca do mentiroso o certo se faz duvidoso. — Mendaci ni verum quidem dicenti creditur.300. Na cauda é que está o veneno. — In cauda venenum.
301. Nada duvida quem nada sabe. — Ille nihil dubitat qui nullam scientiam habet.302. Nada tem quem não se contenta com o que tem. — Cui nunquam satis est, possidet ille nihil.303. Não faças a outrem o que não quererias que ti fizessem. — Quod tibi non vis, alteri ne facias.304. Não faças aos outros o que não queres que te façam. — Alteri ne facias quod tibi fieri non vis.305. Não gosta do doce quem não prova o amargo. — Dulcia non novit qui non gustavit amara.306. Não há bem que sempre dure, nem mal que sempre ature. — Omnium rerum vicissitudo est.307. Não há casamento pobre, nem mortalha rica. — Nemo nupsit inops, dives nec mortuus ullus.308. Não há efeito sem causa. — Causa debet praecedere effectum.309. Não há gato, nem cachorro que não saiba. — Lippis et tonsoribus notum.310. Não há gosto que não custe. — Commoditas omnis fert secum incommoda.311. Não há gosto sem desgosto. — Fel latet in melle et mel non bibitur sine felle.312. Não há melhor espelho que amigo velho. — Se gerit egregium speculum veteranus amicus.313. Não há nada de novo debaixo do sol. — Nihil sub sole novi.314. Não há regra sem exceção. — Deviat a solitis regula cuncta viis.315. Não há tempero tão bom como a fome. — Fames optimum condimentum.316. Não merece o doce quem não prova o amargo. — Dulcia non meruit qui non gustavit amara.317. Não pode ser meu amigo o amigo de meu inimigo. — Inimici sui amicum nemo in amicitia sumit.318. Não sabe governar quem não sabe obedecer. — Non bene imperat, nisi qui paruerit imperio.319. Não saiba a mão esquerda o que faz a direita. — Nesciat sinistra quod faciat dextera tua.320. Não se aumente a aflição do aflito. — Afflicto non est addenda afflictio.321. Não se bebe sem ver, nem se assina sem ler. — Inspice bis potum et chartam subscribe scienter.322. Não se deve aumentar a aflição do aflito. — Afflictis non est addenda afflictio.323. Não se deve ser juiz de causa própria. — Aliquis non debet esse judex in propria causa.324. Não se pode demandar contra si mesmo. — A se impetrare ut nom posse.325. Não suba o sapateiro além da chinela. — Ne sutor ultra crepidam.326. Não te deves fiar senão naquele com quem já comeste um molho de sal. — Nemini fidas, nisi ei, cum quo prius modium salis absumptseris.327. Não vás à festa alheia sem ser convidado. — Alterius — festum solum invitatus adibis.328. Não vê a trave que tem no olho e vê um argueiro no do vizinho. — Aliena vitia in oculis habemus, a tergo nostra sunt.329. Nas ocasiões é que se conhecem os amigos. — In angustiis apparent amici.330. Nem só de pão vive o homem. — Non in solo pane vivit homo.331. Nem tanto, nem tão pouco. — Medio tutissimus ibis.332. Nem todas as verdades se dizem. — Non omnia quae vera sunt recte dixeris.333. Nem todo dia é dia santo. — Nec semper lilia florent.334. Nem tudo que luz é ouro. — Non omne id quod fulget, aurum est.335. Ninguém acorde o cão que está dormindo. — Temulentus dormiens non est excitandus.336. Ninguém dá o que não tem, nem mais do que tem. — Nemo dat quod non habet, nec plus quam habet.337. Ninguém é moeda de vinte patacas, para agradar a todos. — Nemo omnibus placet.338. Ninguém é obrigado a fazer o impossível. — Ad impossibilia nemo tenetur.339. Ninguém é obrigado a fazer o impossível. — Ad impossibilia nemo tenetur.340. Ninguém é profeta em sua terra. — Nmo propheta acceptus est in patria sua.341. Ninguém nasce sabendo. — Nemo nascitur sapiens.342. Ninguém pode ser juiz em causa própria. — Judex in causa propria nemo esse potest.343. Ninguém pode servir a dois senhores. — Nemo potest duobus dominis servire.344. Ninguém se contenta com o que tem. — Nemo sua sorte contentus.345. Ninguém se meta onde não é chamado. — Ad concilium ne accesseris antequam vocaris.346. No espelho, vê-se o rosto; no vinho, o coração. — Aes formae speculum est, vinum mentis.347. No meio é que está a virtude. — In medio virtus.348. No mundo, tudo é vaidade. — Vanitas vanitatum, et omnia vanitas.349. No sofrer e no abster está todo o vencer. — Sustine et abstine.350. No vinho está a verdade. — In vino veritas.351. Novos tempos, novos costumes. — Tempora mutantur et nos in illis.352. O abuso não tira o uso. — Abusus non tollit usum.353. O abuso não tolhe o uso. — Abusus non tollit usum.354. O alheio chora a seu dono. — Res ubicumque sit pro domino suo clamat.355. O amor é como a tosse: impossível ocultar. — Amor tussisque non celantur.356. O amor e o poder não querem sócios. — Amor et potestas impaciens consortis.357. O amor entra pelos olhos. — Ex aspectu nascitur amor.358. O amor tudo vence. — Amor vincit omnia.359. O autor louva sua obra. — Auctor opus laudat.360. O avarento rico não tem parente nem amigo. — Affinem nullum dives avarus habet.361. O bem que não fizeres, dos teus não esperes. — Frustra sperabis ab alieno, quodipse tibi praestre noluisti.362. O boi mais velho ensina o mais novo a arar. — A bove majore discit arare minor.363. O boi pela ponta, o homem pela palavra. — Cornu bos capitur, voce ligatur homo.364. O bom juiz ouve o que cada um diz. — Judex ille sapit qui darde censet et audit.365. O bom pastor dá sua vida por suas ovelhas. — Bonus pastor animam suam dat pro ovibus suis.366. O bom pastor deve tosquiar, e não esfolar o seu rebanho. — Boni pastoris est tondere pecus, non deglubere.367. O bom vinho escusa pregão. — Laudato vino non opus est hedera.368. O coração sente e a boca mente. — Aliud in ore, aliud in corde.369. O costume é uma segunda natureza. — Consuetudo altera natura.370. O dinheiro excita, mas não sacia o avarento. — Avarum irritat, non satiat pecunia.371. O erro repetido passa por verdade. — Consensus tollit errorem.372. O fim coroa a obra. — Finis coronat opus.373. O fim justifica os meios. — Quum finis est licitus etiam media sunt licita.374. O hábito não faz o monge. — Habitus non facit monachum.375. O homem é fogo e a mulher estopa: — vem o diabo e sopra. — Dicitur ignis homo, sic femina stupa vocatur; insuflat deamons: — gignitur ergo focus.376. O homem faz-se por si. — Faber est quisque tortunae suae.377. O homem honrado não teme murmúrios. — Ab auditione mala non timebit.378. O homem põe e Deus dispõe. — Homo proponit, sed Deus disponit.379. O jogo só é desonroso para o pobre. — Alea turpis mediocribus.380. O ladrão cuida que todos o são. — Esse sibi similes alios fur judicat omnes.381. O mal ganhado, o diabo o leva. — Mala parta, male dilabuntur.382. O muito mimo perde os filhos. — Efficit ignavos patris indulgentia natos.383. O número dos tolos é infinito. — Stultorum infinitus est numerus.384. O olho do dono trabalha mais que as mãos. — Dominus vidit multum in rebus suis.385. O parto da montanha. — Parturiun montes, nascetur ridiculus mus.386. O passado, passado! — Praeterita mutare non possumus.387. O perdão faz o ladrão. — Eficit insignem nimia indulgentia furem.388. O pilão conserva o odor do alho socado. — Allia quando terunt retinent mortaria gustum.389. O pior de esfolar é o rabo. — Detrahitur cauda nunquam bene pellis ab ima.390. O pouco com Deus é muito, e o muito sem Deus é nada. — Nihil sine Dio.391. O que é bom não dura. — Optima citissime pereunt.392. O que é bom por si se gaba. — Laudato vino non opus est hedera.393. O que é de mais mal não faz. — Quod abundat non nocet.394. O que é raro é caro. — Omnia rara cara.395. O que é ruim de passar é bom de lembrar. — Quae fuit durm pati meminisse dulce est.396. O que fizeres, encontrarás. — Ab alio expectes, quod alteri feceris.397. O que mulher quer, nem o diabo dá jeito. — Quod non potest diabolus mulier evincit.398. O que não se faz em dia de Santa Luzia, faz-se noutro qualquer dia. — Quod difertur non aufertur.399. O que não tem remédio, remediado está. — De re irreparabile ne doleas.400. O que o sábio faz primeiro, faz o néscio derradeiro. — Quod sapiens prius facit, stultus posterius.
401. O que se faz de noite, de dia aparece. — Nocte lucidus, interdiu inutilis.402. O que tem de ser tem muita força. — Fata viam inveniunt.403. O rogado é mais caro que o comprado. — Hic tua mercatur quia a te saepe precatur.404. O seu a seu dono. — Suum cuique tribuere.405. O sol nasce para todos. — Sol lucet omnibus.406. O sono é parente da morte. — Somnus est frater mortis.407. O temor de Deus é o princípio da sabedoria. — Timor Domini initium sapientiae est.408. O tempo é mestre. — Dies posterior prioris est discipulis.409. O tempo tudo traz. — Omnia fert aetas.410. O tempo vai e não volta. — Fugit irreparabile tempus.411. O tempo voa. — Cito pede labitur aetas.412. O tolo aprende à sua custa. — Malo accepto sultus sapit.413. O tolo caldo passa por sabido. — Stultus quoque si tacuerit, sapiens reputabitur.414. O trabalho é que faz o homem. — Opus artificem probat.415. O trabalho regula a paga. — Qualis pagatio, talis laboratio.416. O trabalho tudo vence. — Labor omnia vincit.417. O travesseiro é o melhor conselheiro. — In nocte consilium.418. Obras são amores e não palavras. — Re opitulandum, non verbis.419. Olho por olho, dente por dente. — Oculum pro oculo, dentem pro dente.420. Onde bem me vai, tenho mãe e pai. — Ubi bene, ibi patria.421. Onde está a força maior, cessa a menor. — Ubi major est, minor cedat.422. Onde ha força, direito se perde. — Jus rationis abest, ubi saeva potentia regnat.423. Onde há fumaça, há fogo. — Semper flamma fumo proxima est.424. Onde há mel, há abelhas. — Ubi mel, ibi apis.425. Onde muitos mandam, ninguém obedece. — Multitudo imperatorum curiam perdidit.426. Onde o galo canta, aí janta. — Legitimus propria quaestus ab arte venit.427. Onde o ouro fala, tudo cala. — Auro loquente, nihil pollet quaevis oratio.428. Onde o padre canta, aí janta. — Legitimus propria quaestus ab arte venit.429. Os mansos possuem o mundo. — Mites possident terram.430. Os olhos são a janela da alma. — Oculus animi index.431. Os pés irão onde quiser o coração. — Illic est oculus qua res quam adamamus.432. Ouro é o que ouro vale. — Hoc aurum scito pretium quod pr tenet aureo.433. Ovelha que berra, bocado que perde. — Si corvus posset tacitus pasci, haberet plus dapis.434. Paga o justo pelo pecador. — Unius peccata tota civitas luit.435. Pai e mãe é muito bom, barriga cheia é melhor. — Mammas atque tatas nimium conducit habere; sed potum et multum praestat habere cibum.436. Paixão cega a razão. — Amor caecus.437. Palavra e pedra que se soltam não têm volta. — Verbum emissum non redit.438. Palavras ditas, pancadas dadas. — In maledicto plus injuriae quam in manu.439. Palavras, leva-as o vento. — Verba volant.440. Panela que muitos mexem, ou sai insossa ou salgada. — Quod multum commune est, minima abdhibitur diligentia.441. Pão de hoje, carne de ontem e vinho de outro verão fzem o homem são. — Carnem hesternam, panem hodiernum, annotina vina, sume libens dicto tempore, sanus eris.442. Papagaio velho não aprende a falar. — Psittacus vetus non discit loqui.443. Para cavalo novo, cavaleiro velho. — Antiquus pullum scandere novit eques.444. Para grandes males, grandes remédios. — Extremis morbis, extrema, exquisita remedia optima sunt.445. Para não acabar, é melhor não começar. — Aut non tentaris, aut perfice.446. Para o passarinho, não há como seu ninho. — Cespite natali quilibet optat ali.447. Para que cego com espelho? — Quid caeco cum speculo?448. Para tudo há remédio, menos para a morte. — Contra vim mortisnon est medicamen in hortis.449. Pau que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. — Lignum tortum haud unquam rectum.450. Pedra que rola não cria limo. — Musco lapis volutus non abducitur.451. Pela amostra se conhece a chita. — E fimbria de texto judicatur.452. Pela linha vi a tinha. — Morbus hereditarius.453. Pelo dedo se conhece o gigante. — Ab ungibus leo.454. Pelo dedo se conhece o gigante. — Ex digito gigas.455. Pelo dedo se conhece o leão. — A digito cognoscitur leo.456. Pelo fruto se conhece a árvore. — Arbor ex frutcu cognoscitur.457. Pelos frutos se conhece a árvore. — A fructibus eorum cognoscetis eos.458. Pequenas dívidas fazem grandes inimigos. — Aes debitorum leve, grave inimicum facit.459. Perca-se tudo, menos a honra. — Omnia si perdas, famam servare memento.460. Perdoar ao mau é dizer-lhe que o seja. — Bonis nocet qui malis parcit.461. Pobre muda de patrão, mas não de condição. — Pauper dominum, non sortem mutat.462. Pobre não tem amigo nem parente. — Inopi nullus amicus.463. Por bem fazer, mal haver. — Pro beneficio maleficium accipere.464. Por fora muita farofa, por dentro molambo só. — Res modo formoase foris, intus erunt maculosae.465. Porta aberta, o justo peca. — Oblata occasione, vel justus perit.466. Portador não merece pancada. — Nuntio nihil imputandum.467. Pouco fel faz azedo muito mel. — Ex gutta mellis generantur flumina fellis.468. Pra mula velha, cabeçada nova. — Mula senex fulvis orntur saepe lupatis.469. Preso e cativo não tem amigo. — Donec eris felix, multos numerabis amicos.470. Princípios ruins, desgraçados fins. — Mali principii malus exitus.471. Procurar agulha em palheiro. — Acum in meta foeni quaerere.472. Quando Deus não quer, Santos nãorogam. — Nolente Deo, effundentur inaniter preces.473. Quando Deus quer, com todos os ventos chove. — Largitur pluvias, ubi vult divina potestas.474. Quando os gatos não estão em casa, os ratos passeia por cima da mesa. — Audacem reddit felis absentia murem.475. Quando os meus males forem velhos, os de alguém serão novos. — Quid rides me flente? — novum tibi crede futurum luctum, forte meus cum mihi priscus erit.476. Quando um não quer, dois não brigam. — Unus duntaxat non preliatur.477. Quanto maior é a ventura, tanto menos é segura. — Nemo infelicitati propinquior, quam nimis felix.478. Quanto mais besta, mais peixe. — Fortuna favet fatuis.479. Quanto mais se vive, mais se vê. — Multa ferunt anni venientes commoda secum.480. Quatro olhos vêem mais do que dois. — Auspiciunt oculi duo lumina clarius uno.481. Queijo de ovelha, leite de cabra, manteiga de vaca. — Caseum ovis, lac capra mi dent et vacca butyrum.482. Quem vaca de el-rei come magra, gorda a paga. — Est qui macram regis vaccam, solvit opimam.483. Quem a boa árvore se chega, boa sombra o cobre. — Non male sedet qui bonis adhaeret.484. Quem aconselha não obriga. — Nemo consilio obligatur.485. Quem adiante não olha, atrás se fica. — Qui nimium properat, serius absolvit.486. Quem ama a Beltrão, ama seu cão. — Qui me amat, meos diligit.487. Quem ama a Beltrão, ama seu irmão. — Qui me amat meos diligit.488. Quem anda no mar aprende a rezar. — Qui nescit orare, pergat ad mare.489. Quem aos vinte não barba, aos trinta não casa e aos quarenta não tem, não barba, não casa, não tem. — Sera sunt baba pos vigesimum, scientia post trigesimum, divitiae pos quadragesimum.490. Quem as coisas muito apura, não vive vida segura. — Qui nimis inquirit, multa pericla subit.491. Quem bem ama, bem castiga. — Qui bene amat, bene castigat.492. Quem bem vive, bem morre. —Qui vult rite mori, ne prave vivat oportet.493. Quem cala não quer barulho. — Omnia qui reticet, munera pacis habet.494. Quem cala vence. — Silentii tutum praemium.495. Quem cala, consente. — Qui tacet, consentire videtur.496. Quem cedo dá, dá duas vezes. — Bis dat qui cito dat.497. Quem com coxo anda, aprende a mancar. — Semper eris similis cum quibus esse cupis.498. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. — Qui gladio ferit, gladio perit.499. Quem comeu a carne que roa os ossos. — Faecem bibat qui vinum bibit.500. Quem compra e mente, na bolsa o sente. — Mendacem emptorem crumena arguit.
501. Quem corre atrás de dois, um vai embora. — Lepores duos insequens, neutrum capit.502. Quem corre, cansa; quem anda alcança. — Festinatio tarda est.503. Quem dá aos pobres empresta a Deus. — Qui dat pauperi non indigebit.504. Quem dá o pão dá o castigo. — Dum repascis natos pane, flagella premant.505. Quem dá o que é seu, sem ele se fica. — Si tua das cunctis omnia, multa feres.506. Quem desdenha quer comprar. — “Malum est, malum est”, dicit omnis emptor.507. Quem deve a quem me deve, a mim me deve. — Debitor debitoris mei debitor meus est.508. Quem diabos compra, diabos vende. — Daemonium vendit qui daemonium prius emit.509. Quem dinheiro tiver, fará o que quiser. — Pecuniae obediunt omnia.510. Quem diz o que quer, ouve o que não quer. — Quis quae vult dicit, quae non vult audit.511. Quem é teu inimigo? — É o oficial de teu ofício. — Faber fabro invidit.512. Quem escuta, de si ouve. — Experta est linguas auris iniqua malas.513. Quem está bem, deixe-se estar. — Regula certa datur: qui stat bene ne moveatur.514. Quem está com fome, não escuta conselhos. — Venter auribus caret.515. Quem está trabalhando, a Deus está se encomendando. — Laborare est orare.516. Quem faz o mal, espere outro tal. — Ab alio spectes alteri quod feceris.517. Quem faz uma vez, faz duas e três. — Semel artiex, millies artifex esse potest.518. Quem foi Naninha! — Quantum mutatus ab illo!519. Quem foi ruim, não deixa de ser. — Semel malus, semper malus.520. Quem fz neste mundo, aqui mesmo paga. — Quisquis iniqua facit, patiatur iniqua, necesse est.521. Quem graças faz, graças merece. — Gratia gratiam parit.522. Quem mais alto sobe, maior queda dá. — Quo quisque est altior, eo est periculo proximior.523. Quem mais duvida, mais aprende. — Dubitando ad veritatem parvenimus.524. Quem mais duvida, mais aprende. — Dubium sapientiae initium.525. Quem mais grita não é quem tem mais razão. — Copia sermonis non est consors rationis.526. Quem mais tem, mais deseja. — Plurima cum tenuit, plura tenere cupit.527. Quem mal começa, mal acaba. — Mali principii malus exitus.528. Quem mal cospe, duas vezes se alimpa. — Bis tergendus erit qui male sputa jacit.529. Quem mal fala, pior ouve. — Malecicens pejus audit.530. Quem muito abarca, pouco aperta. — Plurima conants prendere pauca ferunt.531. Quem muito fala, muito enfada. — Malo tacere mihi quam mala verba loqui.532. Quem muito fala, muito erra. — Multis lingua nocet: — nocuere silentia nulli.533. Quem muito pede, muito fede. — Importunus erit crebo quicumque rogabit.534. Quem não aceita conselhos, não merece ajuda. — Qui se consuluit solus secum ipse dolebit.535. Quem não aparece, se esquece. — Tam procul ex oculis quam procul ex corde.536. Quem não arrisca, não petisca. — Nihil lucri cepit qui nulla pericla subivit.537. Quem não avança, recua. — Non progredi est regredi.538. Quem não é por mim, é contra mim. — Qui non est mecum, contra me est.539. Quem não o conhecer, que o compre. — Tollat te, qui te non novit.540. Quem não pode o menos, não pode o mais. — Cui non licet quod est minus, utique non licet quod est plus.541. Quem não quer quando pode, não pode quando quer. — Nulli pro libito est unquam concessa libertas.542. Quem não quer trabalho, não quer ganho. — Molam qui vitat, farinam vitat.543. Quem não sabe calar, não sabe falar. — Qui nescit tacere, nescit et loqui.544. Quem não sabe falar, é melhor calar. — Praestat tacere quam stulte loqui.545. Quem não sabe fingir, não sabe governar. — Qui nescit dissimulare, nescit regnare.546. Quem não sabe sofrer, não sabe vencer. — Vincit qui tapitut.547. Quem não tem cabeça, não carrega chapéu. — Carente capite non opus est pileo.548. Quem não tem farinha, pra que quer peneira? — Qui caret asino, clitellam ne quaerat.549. Quem não tem vergonha, todo o mundo é seu. — Cui pudor non est, orbi dominator.550. Quem não trabalha, não come. — Qui non laborat, non manducet.551. Quem nega e depois faz, quer paz. — Ille est pacis amans, quicunque negata retracta.552. Quem o alheio veste, na praça o despe. — Qui furtim accipit, palam exsolvit.553. Quem o feio ama, bonito lhe parece. — Suum cuique pulchrum.554. Quem paga o que deve, aumenta o que é seu. — Solve aes alienum et quod te cruciat, scias.555. Quem pode o mais, pode o menos. — Cui licet quod est plus, licet utique quod est minus.556. Quem pode ser seu, sendo de outro é sandeu. — Alterius non sit qui suus esse potest.557. Quem poupa os maus, prejudica os maus. — Bonis nocet qui malis parcet.558. Quem primeiro anda, primeiro manja. — Primus veniens, primus molet.559. Quem procura, acha. — Qui bene perquirunt, promptius inveniunt.560. Quem quer tudo, tudo perde. — Avidum sua saepe deludit aviditas.561. Quem quiser cedo engordar, coma com fome e beba devagar. — Si potes lente, capiasque famelicus escam optatam, exiguo tempore pinguis eris.562. Quem ri hoje, chora amanhã. — Post gaudia, luctus.563. Quem se faz de mel, moscas o comem. — Si dulcis fias ut mel, te musca vorabit.564. Quem se faz de ovelha, o lobo o come. — Quisquis ovem simulat, hunc lupus ore vorat.565. Quem se sentir sem culpa, atire a primeira pedra. — Qui est sine peccato, primum in illa lapidem mittat.566. Quem se vence, vence o mundo. — Vincere cor proprium plus est quem vincere mundum.567. Quem se veste de ruim, veste-se duas vezes no ano. — Bis anno vestiri si vis, vilem indue pannum.568. Quem semeia ventos, colhe tempestades. — Ventum seminabunt et turbinem metent.569. Quem sempre mente, vergonha não sente. — Semper mendax impudens.570. Quem sozinho comeu seu galo, sozinho sele seu cavalo. — Qui solus comedit, solus sua pondere gestat.571. Quem tem amor, tem ciúme. — Qui non zelat, non amat.572. Quem tem carneiro, tem lã. — Semper habet lanam, cui copia larga bibentum.573. Quem tem inimigo, não dorme. — In periculo non est dormiendum.574. Quem tem o que perder, tem o que comer. — Plura timenda divitibus.575. Quem tem ofício, tem benefício. — Ars portus miseriae.576. Quem tem telhado de vidro não atira pedra no dos outros. — Desinant maledicere malefacta ne noscant sua.577. Quem trabalha o dia inteiro, acha mole o travesseiro. — Dulcis est somnus operantis.578. Quem tudo quer tudo perde. — Avidum sua saepe deludit aviditas.579. Quem vê a barba do vizinho arder, bota a sua de molho. — Jam tua res agitur, paries cum proximus ardet.580. Quem vê cara, não vê coração. — Frons, oculi, vultus persaepe mentiuntur.581. Quem vier atrás, que feche a porteira. — Qui postremus abit, redeuntibus ostia claudet.582. Querer é poder. — Volle est posse.583. Questão puxa questão. — Lis litem parit.584. Raio não cai em pau deitado. — Periunt summos fulmina montes.585. Raposa cai o cabelo, mas não deixa de comer galinha. — Lupus pilum mutat, non mentem.586. Raposa que dorme não apanha galinha. — Dormiens nihil lucratur.587. Raposa velha não cai em armadilha. — Annosa vulpes non capitur laqueo.588. Remenda teu pano, durará mais um ano; remenda outra vez, durará mais um mês; torna a remendar, pra então se acabar. — Se vestem repares, longum durabis in annum.589. Resposta branda a ira quebranta. — Responsio mollis frangit iram.590. Rico avarento não tem parente, nem amigo. — Affinem nullum dives avarus habet.591. Rico é quem se contenta com o que tem. — Sorte sua quisque dives, si contentus.592. Roma não se fez num dia. — Non fuit in solo Roma peracta die.593. Saltar das brasas e cair nas labaredas. — Incidit in flammam cupiens vitare favillas.594. Saram cutiladas e não más palavras. — In maledicto plus injuriae quam in manu.595. Saúde cuidada, vida conservada. — Custodit vitam qui vustodit sanitatem.596. Se as armas falam, as leis se calam. — Silent inter arma leges.597. Se há de mais tarde chorar o pai, chore agora o filho. — Melius est pueri fleant quam senes.598. Se há de se dar ao rato, dê-se ao gato. — Accipiat felis quae vellent rodere mures.599. Se queres a paz, prepara-te para a guerra. — Si vis pacem, para bellum.600. Se queres ser velho moço, faze-te velho cedo. — Mature fies senex, si diu velles esse senex.601. Se te dá o pobre, é para que mais te tome. — Dat tibi, ut accipiat duplicata numismata, egenus.602. Sem conheceres, não louves nem ofendas. — Antequam noveris a laudando et vituperando abstine.603. Sem dinheiro, tudo é vão. — Absque argento omnia vana.604. Só s sabe o que é saúde quando se está doente. — Pretiosa quam sit sanitas morbus docet.605. Sobre gosto não se discute. — De gustibus et coloribus non est disputandum.606. Sol e sal livram a gente de muito mal. — Cum sale et sole omnia fiunt.607. Tal amo, tal criado. — Qualis dominus, talis servus.608. Tal pai, tal filho. — Qualis pater, talis filius.609. Tal vida, tal morte. — Tal vida, tal morte.610. Tantas cabeças, tantas opiniões. — Tot capita, tot sententiae.611. Tanto tens, tanto vales. — Nihil satis est, quia tanti, quanti habeas, sis.612. Tanto vai o pote à bica, que um dia lá se fica. — Cantharus assidue gestatus perdidit ansam.613. Tão bom é o ladrão como o consentidor. — Agentes et consentientes pari poena puniuntur.614. Tarde dar é o mesmo que negar. — Tarde benefacere nolle est.615. Tarde piaste! — Sero venisti.616. Temer a morte é morrer duas vezes. — Crudelius est quam mori semper mortem timere.617. Tempo de guerra, mentira como terra. — Multa in bellis inania.618. Tempo é remédio. — Tempus tempora temperat.619. Tempo perdido não se recupera. — Praeteritum tempus umquam revertitur.620. Toda comparação é odiosa. — Omnis comparatio odiosa.621. Toda sobra é demasiada. — Ne quid nimis.622. Tolo é quem cuida que o seu inimigo se descuida. — Hostis nunquam contemnendus.623. Tosse, amor e febre ninguém esconde. — Amor tussisque non celantur.624. Trabalho bem começado, meio acabado. — Dimidium facti qui bene coepit habet.625. Trato é trato. — Pacta sunt servanda.626. Triste de quem morre! — Vae mortuis!627. Tudo na vida quer tempo e medida. — Mensura omnium rerum optima.628. Tudo passa sobre a terra. — Tempus longum vitiat lapidem.629. Tudo pode ser, sem ser milagre. — Omnia eveniunt ut sunt humana.630. Tudo que é demais aborrece. — Quod nimium est, laedit.631. Um abismo atrai o outro. — Abyssus abyssum invocat.632. Um gago entende o outro. — Balbus balbum intellegit.633. Um grão não enche o celeiro, mas ajuda o companheiro. — Singula quae non possunt multa collecta juvant.634. Um ruim conhece outro. — Bestia bestiam novit.635. Uma andorinha só não faz verão. — Una hirundo non facit ver.636. Uma desgraça nunca vem só. — Malis mala succedunt.637. Uma faca amola a outra. — Ferrum ferro acuitur.638. Uma mão lava a outra e ambas o rosto. — Dextra fricat laevam, vultus fricatur ab illis.639. Uma mentira acarreta outra. — Fallacia alia aliam trudit.640. Uma testemunha, nenhuma testemunha. — Testis unus, testis nullus.641. Uns plantam, outros colhem. — Alii sementem faciunt; alii metent.642. Usa e serás mestre. — Usus optimus rerum magister.643. Usar, não abusar. — Uti, non abuti.644. Vaidade das vaidades, tudo é vaidade. — Vanitas vanitatum, omnia vanitas.645. Vão as leis onde querem os reis. — Quae vult rex fieri, sanctae sunt congrua legi.646. Vasilha ruim não se quebra. — Vas malum non frangitur.647. Velhice é doença. — Senectus est morbus.648. Velhice e mercadoria ruim levam-se às costas. — Aetas mala merx mala terga.649. Velhice, segunda meninice. — Senectus est velut altera pueritia.650. Vence quem se vence. — Vincit qui se vincit.651. Vender em casa, comprar na feira. — Vende domi, emi in mundinis.652. Ver para crer. — Oculis magis habenda fides quam auribus.653. Ver, ouvir e calar. — Auribus frequentius quam lingua utere.654. Vinho do meio, mel de baixo, azeite de cima. — Vinum intra, subsidant mella, superstet oliva.655. Vinho velho, amigo velho e ouro velho. — Annosum vinum, socius vetus et vetus aurum.656. Viúva rica com um olho chora e com o outro repica. — Si vidua est locuples, lacrimoso lumine ridet.657. Viva a galinha com a sua pevide! — Morbosam retine vitam formidine mortis.658. Voz do povo, voz de Deus. — Vox populi, vox Dei est.
Estudo sobre Giordano Bruno
Giordano Bruno e seus heróicos furores
O filósofo Giordano Bruno, em pleno Renascimento, teve uma maneira de olhar o olhar, no encontro poético entre os olhos (falando da razão) e o coração (em nome das paixões). Para ele, “a vista é o mais espiritual de todos os sentidos”. E dedicou um livro aos olhos: Heróicos Furores. Na obra ele escreve o diálogo – o enbate – entre os olhos e o coração. O diálogo começa com uma acusação e um lamento do coração. Ele se queixa do fogo que o consome e acusa os olhos de serem “causa desse cruel incêndio” que nem toda a água do oceano bastaria para apagar. É que a primeira chama veio dos olhos, porque a razão excita o desejo: “Perceber, ver, conhecer, eis, em verdade, o que o desejo acende. É, pois, graças aos olhos que o coração é incendiado”.
Por sua vez, os olhos acusam o coração de ser o princípio de todas as lágrimas; na verdade, o fogo e a dor do coração fazem brotar as lágrimas dos olhos: se os olhos incendeiam o coração, é por causa do coração que os olhos são incendiados em lágrimas. “Copiosas lágrimas que, se espalhadas, inundariam o universo”.Os olhos perguntam: se toda matéria, convertida em jogo móvel e ligeiro, eleva-se às alturas do céu, “por que você, que um tão grande jogo de amor atormenta, não é levado, rápido como o vento, de um só ela até o sol?”. O coração responde: “Louco é aquele que, fora das aparências, nada conhece e que, pela razão, recusa-se a acreditar: o fogo que está em mim não pode alçar vôo, nem pode ver esse desmesurado incêndio, porque acima dele estende-se o oceano de olhos e o infinito não pode ultrapassar o infinito”.
E assim, como romper o equilíbrio de duas forças iguais? “Onde existem duas forças – comenta Giordano – uma não sendo superior à outra, uma e outra cessam de ser operantes, uma vez que a resistência de uma iguala-se à insistência da outra”. A igualdade só é possível entre dois infinitos. Duas forças finitas em oposição sempre produzem a ruptura da harmonia e do equilíbrio, por serem desiguais.
E no fim do diálogo vem a resposta: acima dos olhos e do coração está o Desejo. “Estas duas potências da alma jamais são e podem ser satisfeitas por seu objeto uma vez que infinitamente elas o buscam”. O Desejo é o infinito que trabalha o interior das paixões e da razão. É o Desejo que leva o ver a se transformar em ação de ver, dando às paixões e ao intelecto movimento infinito.
A relação dos olhos e do coração, do pensado e do sentido, é posta num duplo movimento, ou seja “dois ofícios”. “Para os olhos: imprimir no coração e receber a impressão no coração, da mesma maneira que o coração tem dois ofícios: receber a impressão dos olhos e imprimir nos olhos. Os olhos apreendem as aparências e as propõem ao coração; elas se tornam então, para o coração, objeto de desejo, e esse desejo, ele o transmite aos olhos; estes concebem a luz, irradiam-na e, nela, inflamam o coração; este, abrasado, espalha sobre os olhos seu humor. Assim, primeiro a cognição emite a faculdade afetiva que, por sua vez e em seguida, emite a cognição”. Cada idéia dos Furores Heróicos faz ressentir o corpo e a busca incessante da felicidade e do prazer. Eis dois poemas de Giordano Bruno da obra Dos Furores Heróicos:Bem que a martírios tu me tens sujeitodevo-te muito e te sou grato,Amor:com nobre chaga me rasgaste o peitoe o coração me deste a um tal senhor,de tão excelso e de tão vivo aspeito,na terra imagem do divino autor,Pense quem quer que é ímpio o meu destino,se morro esp'rança e vivo desatino.Contenta-me alta empresa;e quando o fim clamado me escapara,e em tanto arder minh´alma se gastara,basta que seja nobremente acesa,e que eu mais alto ascendae do número ignóbil me defenda.
O filósofo Giordano Bruno, em pleno Renascimento, teve uma maneira de olhar o olhar, no encontro poético entre os olhos (falando da razão) e o coração (em nome das paixões). Para ele, “a vista é o mais espiritual de todos os sentidos”. E dedicou um livro aos olhos: Heróicos Furores. Na obra ele escreve o diálogo – o enbate – entre os olhos e o coração. O diálogo começa com uma acusação e um lamento do coração. Ele se queixa do fogo que o consome e acusa os olhos de serem “causa desse cruel incêndio” que nem toda a água do oceano bastaria para apagar. É que a primeira chama veio dos olhos, porque a razão excita o desejo: “Perceber, ver, conhecer, eis, em verdade, o que o desejo acende. É, pois, graças aos olhos que o coração é incendiado”.
Por sua vez, os olhos acusam o coração de ser o princípio de todas as lágrimas; na verdade, o fogo e a dor do coração fazem brotar as lágrimas dos olhos: se os olhos incendeiam o coração, é por causa do coração que os olhos são incendiados em lágrimas. “Copiosas lágrimas que, se espalhadas, inundariam o universo”.Os olhos perguntam: se toda matéria, convertida em jogo móvel e ligeiro, eleva-se às alturas do céu, “por que você, que um tão grande jogo de amor atormenta, não é levado, rápido como o vento, de um só ela até o sol?”. O coração responde: “Louco é aquele que, fora das aparências, nada conhece e que, pela razão, recusa-se a acreditar: o fogo que está em mim não pode alçar vôo, nem pode ver esse desmesurado incêndio, porque acima dele estende-se o oceano de olhos e o infinito não pode ultrapassar o infinito”.
E assim, como romper o equilíbrio de duas forças iguais? “Onde existem duas forças – comenta Giordano – uma não sendo superior à outra, uma e outra cessam de ser operantes, uma vez que a resistência de uma iguala-se à insistência da outra”. A igualdade só é possível entre dois infinitos. Duas forças finitas em oposição sempre produzem a ruptura da harmonia e do equilíbrio, por serem desiguais.
E no fim do diálogo vem a resposta: acima dos olhos e do coração está o Desejo. “Estas duas potências da alma jamais são e podem ser satisfeitas por seu objeto uma vez que infinitamente elas o buscam”. O Desejo é o infinito que trabalha o interior das paixões e da razão. É o Desejo que leva o ver a se transformar em ação de ver, dando às paixões e ao intelecto movimento infinito.
A relação dos olhos e do coração, do pensado e do sentido, é posta num duplo movimento, ou seja “dois ofícios”. “Para os olhos: imprimir no coração e receber a impressão no coração, da mesma maneira que o coração tem dois ofícios: receber a impressão dos olhos e imprimir nos olhos. Os olhos apreendem as aparências e as propõem ao coração; elas se tornam então, para o coração, objeto de desejo, e esse desejo, ele o transmite aos olhos; estes concebem a luz, irradiam-na e, nela, inflamam o coração; este, abrasado, espalha sobre os olhos seu humor. Assim, primeiro a cognição emite a faculdade afetiva que, por sua vez e em seguida, emite a cognição”. Cada idéia dos Furores Heróicos faz ressentir o corpo e a busca incessante da felicidade e do prazer. Eis dois poemas de Giordano Bruno da obra Dos Furores Heróicos:Bem que a martírios tu me tens sujeitodevo-te muito e te sou grato,Amor:com nobre chaga me rasgaste o peitoe o coração me deste a um tal senhor,de tão excelso e de tão vivo aspeito,na terra imagem do divino autor,Pense quem quer que é ímpio o meu destino,se morro esp'rança e vivo desatino.Contenta-me alta empresa;e quando o fim clamado me escapara,e em tanto arder minh´alma se gastara,basta que seja nobremente acesa,e que eu mais alto ascendae do número ignóbil me defenda.
Assinar:
Postagens (Atom)